Estreito de Ormuz segue sob controle do Irã, apontam EAU. O governo dos Emirados Árabes Unidos afirmou que a principal rota marítima de petróleo do planeta permanece “condicionada” por Teerã, o que estaria elevando custos e ameaçando o abastecimento global.
Pressão dos Emirados por livre navegação
Durante coletiva divulgada na última quinta-feira (9 de abril de 2026), o ministro da Indústria dos EAU, Sultan Al Jaber, declarou que o Estreito de Ormuz “não está aberto”. Segundo ele, a passagem é “restringida, condicionada e controlada” pelo Irã, caracterizando um “controle disfarçado” que fere a liberdade de navegação.
Al Jaber, que também chefia a estatal de energia Adnoc, afirmou que 230 navios carregados de petróleo aguardam liberação. “A cada dia que o Estreito permanece restrito, o fornecimento atrasa, os mercados apertam e os preços sobem”, alertou.
Cessar-fogo e limitações impostas por Teerã
O Irã anunciou, ao confirmar um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que a travessia só seria possível mediante “coordenação com as Forças Armadas do Irã” durante um período inicial de duas semanas. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, ressaltou que as embarcações devem respeitar “limitações técnicas”.
Fontes militares iranianas, citadas pela agência russa Tass, indicaram que apenas 15 navios por dia poderão passar, sempre sujeitos a aprovação de Teerã e a protocolos de segurança.
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Tráfego reduzido e rotas alternativas
Levantamento de monitoramento marítimo obtido pela agência Reuters mostra que, nas 24 horas anteriores ao pronunciamento, somente um navio-tanque de derivados de petróleo e cinco graneleiros cruzaram o estreito. A Guarda Revolucionária divulgou ainda um mapa com rotas alternativas para evitar minas navais instaladas na região.
Risco de escalada regional
O acordo de trégua, já considerado frágil, enfrenta novo desgaste após denúncias de que Israel bombardeou áreas no Líbano, fato que o Irã classifica como violação direta. Representantes de Teerã e Washington agendaram reunião para 10 de abril, em Islamabad, a fim de discutir o futuro do pacto.
Enquanto isso, cresce a pressão internacional para que o estreito seja totalmente liberado e que não haja cobrança de pedágios. Teerã sustenta que “o status de Ormuz jamais voltará a ser como antes”, citando ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o país.
No encerramento da coletiva, Al Jaber ressaltou que manter a via estratégica sob restrição ameaça o fluxo de 20% do comércio mundial de petróleo e gás, ampliando incertezas no mercado energético.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
