Estados Unidos nega guerra na Venezuela em discurso na ONU
Estados Unidos nega guerra na Venezuela e descarta qualquer objetivo de ocupação, declarou o embaixador norte-americano Michael Waltz na sessão emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em 5 de janeiro de 2026. O diplomata sustentou que a operação que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em Caracas, foi “um ato de aplicação da lei” respaldado por acusações criminais formalizadas há mais de 15 anos.
Operação é classificada como ação jurídica, não militar
Waltz afirmou que a incursão dos Estados Unidos em território venezuelano teve caráter estritamente jurídico, com apoio logístico das Forças Armadas. “Não há guerra contra a Venezuela nem contra o seu povo. Não estamos ocupando um país”, assegurou. O embaixador comparou a apreensão de Maduro ao caso Manuel Noriega, capturado no Panamá em 1989 e posteriormente julgado em tribunal norte-americano.
De acordo com Washington, Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, são fugitivos da Justiça dos EUA e lideram o “Cartel de los Soles”, suposta organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de drogas e armas. Waltz prometeu apresentar “provas esmagadoras” nos processos que correrão nos tribunais americanos.
Controvérsia internacional sobre a narrativa
Organizações como a International Crisis Group contestam a existência do cartel, argumentando que a tese serve de justificativa para intervenção externa na Venezuela. Apesar das críticas, o representante norte-americano ressaltou que mais de 50 países não reconhecem o resultado das eleições venezuelanas de 2024, consideradas fraudulentas por um painel de especialistas da ONU. “Se a instituição der legitimidade a um narcoterrorista ilegítimo, que tipo de organização será?”, questionou.
Interesses estratégicos dos Estados Unidos
Para Waltz, a permanência de Maduro representa risco direto à segurança regional. Ele acusou o líder venezuelano de enriquecer ilicitamente, abrigar grupos hostis aos EUA — incluindo o Hezbollah e agentes de inteligência cubanos — e manter as maiores reservas de petróleo do mundo sob controle de “adversários” que não beneficiam o povo venezuelano. “O Hemisfério Ocidental é a nossa casa e não permitiremos que seja transformado em base de operações por rivais”, concluiu.
O Conselho de Segurança não definiu encaminhamentos adicionais, mas diplomatas de vários países pediram relatórios detalhados sobre a operação para as próximas reuniões do colegiado.
Quer acompanhar todos os desdobramentos da crise venezuelana? Visite a nossa editoria Internacional e fique por dentro das atualizações.
Crédito da imagem: Don Conahan/ONU
Fonte: Don Conahan/ONU
