Durval Ribas Filho, presidente da Abran, explicou na sexta-feira (25) como agem os fármacos usados para emagrecimento rápido, desenvolvidos para diabetes tipo 2. Ele cobra critério clínico rigoroso na prescrição.
Na sexta-feira 25, o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho, participou do programa A Força do Agro e detalhou o funcionamento dos fármacos usados para perda rápida de peso, além de alertar para os cuidados clínicos que devem nortear a prescrição.
Segundo o especialista, o crescimento no consumo desses medicamentos transformou o tratamento da obesidade em um fenômeno cultural. Desenvolvidos inicialmente para o controle do diabetes tipo 2, os compostos ganharam notoriedade popular e abriram debates sobre segurança médica.
Durval Ribas Filho ressaltou a magnitude do problema no Brasil: a obesidade atingiria entre 26% e 28% da população, enquanto mais da metade dos adultos convive com excesso de peso. Para ele, a prescrição dos agonistas incretínicos exige rigor diagnóstico e não deve atender a apelos estéticos passageiros.
“As canetas emagrecedoras atuam na raiz biológica do problema”
O médico explicou que o mecanismo de ação reduz o apetite compulsivo e estende a sensação de saciedade. Ao agir nos circuitos cerebrais de recompensa, os medicamentos também diminuem a busca por alimentos ultraprocessados, doces e até bebidas alcoólicas. Esse efeito inclui atuação em áreas como o sistema mesolímbico do cérebro, associada à fome hedônica ligada à ansiedade e às emoções.
Ribas Filho apontou ainda que a resposta terapêutica varia de pessoa para pessoa: entre 10% e 25% dos pacientes não responderiam de forma satisfatória aos compostos, o que reforçaria a necessidade de acompanhamento individualizado e ajustes de dosagem ao longo do tratamento.
“Cada organismo reage de maneira única ao tratamento”
O presidente da Abran advertiu sobre contraindicações formais da terapia, mencionando casos de pancreatite, disfunções renais severas e histórico familiar de câncer de tireoide. Ele também lembrou que, desde junho de 2025, há exigência de retenção obrigatória de receita para a venda desses produtos nas farmácias do país.
Para evitar fraudes e condutas inadequadas divulgadas na internet, o especialista recomendou que pacientes verifiquem se o profissional tem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) junto ao Conselho Federal de Medicina. Ribas Filho destacou que a perda sustentada de peso requer suporte multidisciplinar — nutricionistas, psicólogos e educadores físicos — para reduzir risco de reganho de gordura corporal e garantir manejo clínico seguro.
O alerta do dirigente da Abran reforça a necessidade de cuidado médico e acompanhamento contínuo diante da popularização dessas terapias, lembrando que a prescrição deve sempre se fundar em diagnóstico e monitoramento adequados.
