Quase um ano sem resultado, o exame evidencia perda de capacidade do Estado de cumprir prazos e prestar contas. Ex-presidente do Inep recorda que, em 2022, publicou cronograma anual antecipado.
Em artigo publicado em 22/08/2026, o autor afirma que o atraso do Enade 2024 expõe um problema maior: o Estado perdeu capacidade mínima de cumprir prazos e prestar contas. Segundo o texto, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) virou um retrato da ineficiência burocrática do Ministério da Educação (MEC) e do Inep.
O autor lembra que, durante sua gestão na presidência do Inep, houve avanço na governança com a publicação inédita, no Diário Oficial da União, do cronograma anual antecipado de todos os exames e avaliações de 2022. Esse compromisso com a previsibilidade, diz o texto, teria garantido segurança jurídica a estudantes e instituições — compromisso que, na avaliação do autor, foi abandonado posteriormente.
No caso do Enade 2024, o artigo registra que os resultados, que deveriam ter sido publicados em setembro de 2025, acumulam 11 meses de atraso. O texto aponta silêncio do Inep sobre a questão e cita que a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior protocolou pedido formal de esclarecimentos, com o Processo nº 23036.007932/2026-19, sem obter resposta considerada plausível.
O autor questiona também a postura da imprensa e dos órgãos de controle. Sobre a mídia, o texto levanta indagações sobre o que chama de duplo padrão, lembrando que críticos do passado estariam silenciosos diante do atraso atual. Em relação aos órgãos de fiscalização, o artigo destaca que o Tribunal de Contas da União instaurou auditorias e emitiu alertas nos Acórdãos 658/2023 e 1503/2024-Plenário, mas questiona por que não houve punições efetivas aos gestores responsáveis.
O texto trata ainda das consequências sociais desse atraso: afirma que faculdades com baixa qualidade seguem atuando por meio de marketing agressivo, enganando estudantes e alimentando taxas de evasão. Defende que a escolha da instituição deve ser baseada em informações sobre percepção dos egressos, qualidade do corpo docente, aplicabilidade das aulas e oportunidades de estágio.
Na ausência de transparência oficial, o artigo informa que foi disponibilizada a plataforma amelhorfaculdade.com, que compila dados oficiais das últimas edições do Enade por curso e instituição, para permitir comparações diretas e ampliar o controle social.
Esta nota foi publicada em 22/08/2026. Hoje é 23/08/2026.
Danilo Dupas é economista, professor e executivo do setor educacional. Ex-presidente do Inep e ex-secretário da Seres/MEC. Mestre em Administração com ênfase em Finanças.
