Denúncias apontam inconsistências nos registros do programa Castra+, em SP. Mais de R$ 5,5 mi já foram pagos, mas dados sobre animais atendidos são suspeitos.
O deputado federal Bruno Lima, do Podemos de São Paulo, enviou quase R$ 12 milhões em emendas para a Associação Catarinense de Gestão Hospitalar, Conhecimento e Assistência Social (CHC). A entidade é responsável pelo programa Castra+, que visa realizar a castração de cães e gatos em 17 municípios do estado de São Paulo, por meio de um convênio firmado com o Ministério do Meio Ambiente. Até o momento, mais de R$ 5,5 milhões já foram pagos pela iniciativa.
Entretanto, surgiram denúncias de inconsistências nos registros de animais atendidos pelo projeto. Uma reportagem revelou que, dos 500 registros analisados, apenas 61 apresentavam o nome do tutor do animal. Outros 346 não estavam cadastrados no Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos (SinPatinhas), enquanto 93 estavam vinculados à Clinicão, empresa contratada para realizar os procedimentos.
“Um tutor foi identificado como ‘Samsung A14’, nome de um modelo de telefone celular, vinculado aos cães Negão e Fred. No sistema, os microchips estavam registrados como não existentes”, detalhou a reportagem.
Em Pardinho, interior paulista, uma ficha manuscrita indicava que uma cachorra chamada Quiara pertencia a um tutor identificado apenas como Leonardo. No entanto, o microchip do animal estava associado a um cadastro com o nome “Bolsonaro 17”, registrado em nome da Clinicão. Além disso, vários animais estavam cadastrados em nome da empresa com nomes genéricos seguidos de números.
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Matheus Fraitg, proprietário da Clinicão, afirmou desconhecer a existência de animais registrados em seu nome. Ele explicou que alguns cadastros podem ter recebido nomes genéricos para que tutores que viajaram para os mutirões não perdessem a oportunidade de castrar seus pets. Fraitg acrescentou que, em alguns casos, os tutores removem os registros posteriormente para não ficarem vinculados a sistemas governamentais.
A CHC, em resposta às denúncias, atribuiu as inconsistências ao funcionamento do SinPatinhas, afirmando que o sistema apresentou instabilidades operacionais durante a execução do programa. A entidade negou qualquer suspeita de irregularidade, dizendo que “não pode ser punida simplesmente por ser investigada”.
Além do contrato com o Ministério do Meio Ambiente, a CHC também possui parcerias com governos estaduais e municipais. No município de Itapema, em Santa Catarina, os repasses para a entidade foram suspensos pelo Tribunal de Contas do Estado, após denúncia de que a CHC contratou uma empresa de consultoria pertencente ao irmão de um ex-secretário do governador do Paraná.
Duas das empresas contratadas para executar os serviços do Castra+ têm um histórico de investigações. Uma delas está sendo investigada pela Polícia Civil do Paraná por supostamente abandonar cães recém-operados em via pública, enquanto a outra foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal durante uma investigação sobre recursos destinados à castração animal no Rio de Janeiro.
Bruno Lima afirmou que não possui conhecimento de irregularidades relacionadas à CHC ou às empresas contratadas. Ele destacou que a habilitação da entidade e a fiscalização do convênio são responsabilidades do Ministério do Meio Ambiente.
