Emboscada no Pará: Funai aciona PF após morte de vaqueiro abre nova frente de investigação sobre a violência contra agentes públicos e colaboradores que atuam na retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu.
Ataque ocorreu durante operação de desintrusão
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou que o vaqueiro contratado para conduzir cerca de 350 cabeças de gado fora da área protegida foi alvejado no pescoço, na tarde de 15 de dezembro, numa emboscada montada às margens de estrada vicinal que corta o território indígena. O ataque aconteceu enquanto equipes federais cumpriam decisão da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, que ordena a retirada total de pecuaristas e garimpeiros.
Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), policiais federais já foram deslocados para reforçar a segurança na base operacional instalada próxima ao distrito da Taboca. A Polícia Federal informou que a delegacia de Redenção conduz diligências para identificar suspeitos. Até o momento, não há presos.
Forças federais reforçam segurança
Participam da operação o Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Ibama, Agência Brasileira de Inteligência, Força Nacional, além das polícias Civil e Militar do Pará. A Funai relatou que servidores permanecem em segurança, mas classificou o cenário como “preocupante” devido a investidas de antigos ocupantes que ainda tentam acessar o território para manejar rebanhos deixados para trás.
Relatos apontam que, mesmo após a retirada de mais de 2 mil pessoas, restam bovinos em pelo menos 40 pontos dentro da floresta. Invasores teriam destruído pontes e espalhado artefatos perfurantes nas vias para dificultar o trabalho dos fiscais. Em 2024, um servidor da Funai foi baleado em circunstâncias similares.
Ibama promete responsabilização
Em nota, o Ibama lamentou a morte do colaborador, prestou solidariedade à família e afirmou que “todas as medidas cabíveis foram adotadas para apurar o crime e responsabilizar os autores”. A autarquia classifica o episódio como mais um obstáculo à efetivação da ordem judicial que busca proteger o povo Parakanã, detentor da Terra Indígena Apyterewa.
Enquanto as investigações avançam, o órgão ambiental mantém o planejamento logístico para remover o restante do gado, operação considerada complexa por ocorrer em áreas de mata fechada, inacessíveis por veículos convencionais.
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Crédito da imagem: Gilvan Alves/TV Brasil
Fonte: Gilvan Alves/TV Brasil
