Embaixador do Brasil no Irã alerta: derrubar regime será sangrento Em entrevista concedida na última segunda-feira (9 de março de 2026), o embaixador André Veras afirmou que depor o governo islâmico de Teerã por meio de ação militar estrangeira demandaria “esforço hercúleo” e provocaria graves impactos econômicos mundiais.
Embaixador do Brasil no Irã alerta: derrubar regime será sangrento
Ao participar do programa “Alô Alô Brasil”, da Rádio Nacional, Veras explicou que ataques exclusivamente aéreos não seriam suficientes para forçar a mudança de regime. Segundo ele, a topografia montanhosa do país e a capacidade ofensiva das Forças Armadas iranianas obrigariam uma incursão terrestre prolongada e altamente custosa em vidas e recursos.
O diplomata observou que, mesmo dez dias após os primeiros bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, serviços essenciais como água, luz e gás continuam funcionando. “O comércio está aberto, as escolas operam remotamente e os mercados permanecem abastecidos, o que demonstra resiliência infraestrutural”, descreveu.
Entre as poucas restrições, destaca‐se o racionamento de gasolina, problema que já existia antes do conflito devido à limitação da capacidade de refino iraniana. Para Veras, a manutenção desses serviços confirma a solidez institucional do país.
Sucessão rápida reforça estrutura do sistema
A substituição do aiatolá Ali Khamenei por seu filho Seyyed Mojtaba Khamenei, determinada pela Assembleia dos Especialistas no fim de fevereiro, reforça, segundo Veras, a robustez legal do Irã. “Qualquer vacância possui um procedimento automático de nomeação”, disse o embaixador, que vê na ascensão de Seyyed um possível combustível para críticas internas, já que a revolução de 1979 derrubou um regime hereditário.
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Possível saída diplomática
Apesar do cenário bélico, o diplomata não descarta negociações. Ele acredita que o Irã precisa pôr fim às sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, enquanto Washington e seus aliados necessitam de paz para estabilizar mercados e preservar rotas comerciais. Estudos de organismos internacionais, como os citados pelo ONU News, apontam que prolongar o conflito eleva custos para todas as economias.
Até o momento, o governo brasileiro não cogita retirar seus cidadãos do país. Há cerca de 200 brasileiros no Irã, majoritariamente mulheres casadas com iranianos, e as fronteiras terrestres seguem abertas. A embaixada acompanha casos pontuais de documentação e mantém contato diário com o Itamaraty, que informa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação.
Para Veras, qualquer ofensiva para derrubar o regime implicaria “tarefa sangrenta” e potencial colapso do fornecimento global de petróleo, provocando prejuízos generalizados. “Em uma economia globalizada, todos perdem com a guerra”, concluiu.
No momento, prevalece a avaliação de que os custos crescentes podem levar as partes a buscar uma solução racional na mesa de negociações.
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Crédito da imagem: Majid Asgaripour/Reuters
Fonte: Agência Brasil
