Milhões de brasileiros retornam às seções neste domingo. A primeira experiência com urnas eletrônicas foi em 1996, quando 32 milhões votaram em 57 cidades.
Milhões de brasileiros voltam às urnas neste domingo, 4, três décadas depois da estreia do voto eletrônico no país. A urna eletrônica foi usada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, quando cerca de 32 milhões de eleitores de 57 cidades votaram por meio do equipamento — quase um terço do eleitorado da época.
A ideia de usar máquinas para receber votos é antiga: o primeiro Código Eleitoral, de 1932, já admitia o uso de “máquinas de votar”, desde que fosse preservado o sigilo do voto. A informatização do processo começou de fato em 1985, com a criação de um cadastro nacional de eleitores. Em 1994, a totalização dos votos passou a ser informatizada, embora a apuração ainda fosse feita manualmente.
O projeto que deu origem à urna eletrônica começou a ser desenvolvido em 1995. No início chamado de Coletor Eletrônico de Votos, o aparelho foi concebido por uma equipe que reuniu técnicos e especialistas de diferentes órgãos. Entre as opções definidas estavam o voto por números e um teclado parecido com o de telefone.
O primeiro modelo, conhecido como UE96, tinha processador Intel 386SX de 40 MHz, 2 MB de memória e usava dois disquetes de 1,44 MB para armazenamento. Cerca de 70 mil unidades foram empregadas na estreia.
A implantação ocorreu por etapas. Em 1998, cerca de 60% dos eleitores já utilizaram urnas eletrônicas; naquele ano o equipamento passou a exibir a fotografia dos candidatos. Em 2000, o sistema foi adotado por todo o eleitorado brasileiro: a eleição municipal daquele ano foi a primeira com voto eletrônico em todo o território nacional.
Ao longo de 30 anos, a urna recebeu atualizações técnicas e de acessibilidade. Até as eleições municipais de 2024, 14 modelos diferentes haviam sido utilizados. Recursos como o Registro Digital do Voto foram introduzidos em 2004; a geração UE2015 acrescentou QR Codes aos boletins de urna. Os primeiros testes com leitores de impressões digitais ocorreram com o modelo UE2006, e a biometria começou a ser ampliada a partir de 2008.
Neste domingo, quatro modelos estão em uso: UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. Dos 563 mil equipamentos mobilizados pela Justiça Eleitoral, 77% pertencem às duas gerações mais recentes. A UE2022, fabricada em 2023, utiliza processador Intel Atom de 1,16 GHz e tem 4 GB de memória. O Tribunal Superior Eleitoral já prepara a geração seguinte, prevista para entrar em operação nas eleições de 2028.
Os trinta anos da urna eletrônica marcam mudanças tecnológicas e administrativas no sistema de votação. Entre melhorias no processamento, inclusão de recursos de acessibilidade e avanços na segurança e identificação, o equipamento segue como peça central do processo eleitoral enquanto milhões de eleitores se dirigem às seções neste domingo, 4.

