O Estado de S. Paulo criticou Edson Fachin por não repudiar a decisão de Alexandre de Moraes que identificou a fonte. O editorial chamou a postura de 'frustrante' e apontou contradição com a defesa do sigilo.
O jornal O Estado de S. Paulo publicou um editorial criticando o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, por não ter se manifestado de forma contundente contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que resultou na identificação da fonte de um jornalista. O texto, divulgado no último sábado, 15 de agosto de 2026, descreve a postura de Fachin como “frustrante” e revela insatisfação com sua primeira manifestação pública sobre o assunto.
Embora Fachin tenha defendido o sigilo da fonte como um direito garantido pela Constituição, o editorial aponta que ele se contradisse ao não censurar diretamente a atitude de Moraes. Para o jornal, o presidente do STF buscou conciliar posições que são, na verdade, incompatíveis.
Entidades de Imprensa criticam ação contra fonte de jornalista
O caso em questão envolve o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, que teve seus equipamentos apreendidos pela Polícia Federal, a mando de Moraes, após a publicação de uma matéria sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por Flávio Dino e sua família. A investigação foi encaminhada a Moraes devido a uma suposta ligação com o inquérito das fake news e mencionou o nome de Raimundo Cutrim como fonte do jornalista.
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O editorial do Estadão também critica a autorização dada por Moraes, que afirmou que “nenhuma garantia constitucional, inclusive o sigilo da fonte, pode ser instrumento de impunidade criminal”. O texto discorda dessa afirmação, defendendo que investigações de possíveis delitos devem ocorrer sem desrespeitar a proteção constitucional que ampara as fontes jornalísticas.
Além disso, o editorial questiona a tramitação do caso no STF, destacando a longa duração do inquérito das fake news, que já se estende por mais de sete anos. O jornal ressalta que esse inquérito tem se concentrado em investigações relacionadas a supostas ameaças ou ataques a integrantes da Corte.
Estadão critica inquérito das fake news
O editorial também critica os demais ministros do STF por não se manifestarem publicamente contra a decisão de Moraes, acusando-os de manter um “espírito de corpo”. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não escapou das críticas, já que sua concordância com a medida levantou questionamentos sobre sua atuação em defesa da ordem jurídica e das garantias constitucionais, especialmente no que diz respeito à liberdade de imprensa.

