Doutrina Monroe: EUA reafirmam domínio no Hemisfério Ocidental na Estratégia Nacional de Segurança divulgada recentemente pela Casa Branca, documento que coloca a América Latina no centro das prioridades de Washington e promete barrar a presença de potências externas, sobretudo a China.
Estratégia amplia influência de Washington
A nova diretriz estabelece que os Estados Unidos irão “restaurar a proeminência” no Hemisfério Ocidental, abrangendo América do Sul, Central e do Norte. O texto afirma que a Doutrina Monroe será novamente aplicada “para proteger a pátria e garantir acesso a regiões-chave”, sinalizando uma guinada após anos de atenção limitada ao território latino-americano.
Entre as metas listadas, está a negação de “capacidades ameaçadoras” a países de fora do hemisfério, além da proibição de controle estrangeiro sobre ativos considerados estratégicos. No entendimento de especialistas, trata-se de um recado direto a Pequim, cuja influência econômica na região cresceu de forma consistente na última década.
Corolário Trump reforça postura do século XIX
O documento introduz o chamado “Corolário Trump”, uma releitura do princípio criado em 1823 que estabelecia que “a América é para os americanos”. Essa atualização prevê esforço diplomático e, se necessário, medidas geopolíticas mais duras para frear investimentos estrangeiros em infraestrutura latino-americana.
De acordo com o professor de relações internacionais Alexandre Pires, do Ibmec São Paulo, a iniciativa é “uma resposta ao avanço chinês”, visto que contratos bilionários envolvendo obras de portos, ferrovias e telecomunicações passaram a incomodar Washington. “A pressão norte-americana já aparece em casos como a revisão de concessões no Canal do Panamá”, observa Pires.
Empresas dos EUA ganham prioridade
Outro ponto central determina que diplomatas norte-americanos atuem diretamente em prol das companhias do país. “Cada funcionário deve ajudar as empresas americanas a competir e prosperar”, diz o texto. A orientação inclui firmar acordos de fornecimento exclusivo, sobretudo com nações que mais dependem dos Estados Unidos.
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Essa diretriz se soma ao compromisso de utilizar tarifas e tratados recíprocos como instrumentos de barganha. O governo também promete intensificar parcerias de segurança, envolvendo venda de armas, compartilhamento de informações e exercícios militares conjuntos.
Especialistas apontam riscos à soberania regional
Para Pires, a política pode reduzir margens de negociação de países latino-americanos. “Se Chile ou Peru fecharem acordos minerais com a China que afetem interesses dos EUA, haverá pressões tarifárias e, no limite, ações de caráter militar”, alerta o pesquisador.
A estratégia, segundo a Casa Branca, busca “recompensar” governos alinhados aos princípios norte-americanos, mas não descarta diálogo com nações que tenham visões distintas, desde que dispostas a cooperar. Ainda assim, o documento reconhece que incursões externas recentes “prejudicaram a economia dos EUA”, classificando a resposta insuficiente como “grave erro estratégico”.
Relatos da Reuters indicam que o plano durará por todo o mandato de Donald Trump, guiando decisões de comércio, defesa e diplomacia no continente.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
