Argentina enviar militares ao Oriente Médio se EUA solicitarem
Argentina enviar militares ao Oriente Médio se EUA solicitarem foi o compromisso expresso pelo porta-voz presidencial Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, na última quarta-feira (18), reforçando o vínculo estreito entre Buenos Aires, Washington e Tel Aviv.
Alinhamento com EUA e Israel
Lanari afirmou que “qualquer assistência que os Estados Unidos considerem necessária será fornecida”, embora não tenha confirmado se já houve pedido formal. A declaração consolida a linha adotada por Javier Milei desde que assumiu a Casa Rosada, caracterizada por apoio irrestrito a Israel e proximidade com a política externa norte-americana. Entre as iniciativas, o governo argentino anunciou a intenção de transferir sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, repetindo passo dado por Washington em 2018.
Críticas ao Irã elevam tensão diplomática
A retórica de Milei inclui acusações de que o Irã estaria por trás do atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), ocorrido em 1994, tese rejeitada por Teerã. Em editorial recente, o jornal iraniano Tehran Times advertiu que o país “não pode permanecer indiferente” às posições hostis de Buenos Aires. Analistas internacionais ouvidos pela Reuters destacam que o envio de tropas poderia ampliar riscos de represálias contra a Argentina.
Caso Libra pressiona governo Milei
A disposição de despachar militares veio à tona paralelamente a denúncias de corrupção no chamado caso Libra. Segundo o jornal El Destape, peritos judiciais encontraram indícios de um suposto acordo de US$ 5 milhões entre Milei, sua irmã Karina e o empresário Mauricio Novelli, dias antes de o presidente promover a criptomoeda em fevereiro de 2025. A operação teria causado prejuízos milionários a investidores. O Ministério da Justiça classificou como “imprudente” qualquer acusação prematura, mas legisladores da oposição articulam a abertura de uma comissão parlamentar de investigação.
Histórico de intervenções argentinas
Caso a mobilização seja confirmada, não será a primeira vez que Buenos Aires apoia ações militares lideradas pelos Estados Unidos. Em 1991, o então presidente Carlos Menem enviou navios de guerra à coalizão que impôs bloqueio naval ao Iraque durante a Guerra do Golfo. Antes, em 1982, o país travou a Guerra das Malvinas contra o Reino Unido, conflito no qual Washington se colocou ao lado dos britânicos.
Com a promessa de Milei de “sacrificar interesses nacionais no altar dos EUA”, como descreveu o Tehran Times, cresce o debate interno sobre custos políticos e econômicos de um eventual envolvimento direto no Oriente Médio.
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Crédito da imagem: Jonathan Ernst/Reuters
Fonte: Agência Brasil
