O desembargador Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), publicou um desabafo em seu perfil no Instagram sobre o pagamento de juízes e, na postagem, compartilhou um extrato bancário com saldo de R$ 96,10. Depois da repercussão nas redes, o texto, intitulado “O custo da coragem e o saldo do fim do mês”, foi apagado.
O custo da coragem e o saldo do fim do mês
Na publicação apagada, Albuquerque defendeu a remuneração da magistratura e criticou a cobertura da imprensa sobre salários do Judiciário. Também afirmou desconhecer os chamados benefícios adicionais frequentemente mencionados no debate público sobre vencimentos da carreira.
desconhecer os chamados “penduricalhos”
Dados do próprio Tribunal de Justiça de Alagoas indicam que o desembargador recebeu, em março deste ano, valor líquido de R$ 126.535,87. Ainda segundo as informações oficiais, o recebimento total no período de janeiro a julho somou R$ 546.423,19.
Albuquerque foi empossado como desembargador do TJAL em abril de 2024, assumindo o assento deixado por José Carlos Malta Marques, que se aposentou no início daquele ano. Antes da nomeação para o Tribunal de Justiça, ele ocupou o cargo de Procurador-Geral de Justiça. Foi escolhido para esse posto, em abril de 2020, pelo então governador de Alagoas e atual senador Renan Filho (MDB-AL).
Formado em Direito em 1982, Albuquerque ingressou no Ministério Público em 1987, onde atuou como promotor, procurador e subprocurador ao longo da carreira. Também já exerceu a função de corregedor de Justiça em 2013, segundo o registro de sua trajetória profissional.
O episódio reacendeu o debate público sobre remunerações do Judiciário e sobre a transparência na divulgação de rendimentos e benefícios. A exibição do extrato com baixo saldo pessoal contrastou com os valores informados oficialmente sobre vencimentos e rendeu ampla circulação da imagem nas redes sociais antes da remoção da postagem.
A repercussão levou a questionamentos sobre o conteúdo da postagem e sobre a prática de divulgar extratos pessoais como forma de argumentação em discussões públicas. Não houve, até o momento, registro público de queixas formais relacionadas à publicação.
