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Leitura: Descubra a Retsina, o vinho grego com aroma de pinho e tradição milenar
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Política

Descubra a Retsina, o vinho grego com aroma de pinho e tradição milenar

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 02/08/2026
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Descubra a Retsina, o vinho grego com aroma de pinho e tradição milenar
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A bebida resinosa exibe notas intensas de pinho e ervas mediterrâneas que polarizam paladares. Nascida na Antiguidade para proteger o vinho em ânforas, hoje reaparece nas mesas da alta gastronomia.

Poucos vinhos despertam reações tão intensas quanto a Retsina. Para alguns, é uma curiosidade enológica quase exótica; para outros, uma das mais antigas e autênticas expressões da cultura do vinho. Seu aroma marcante de pinheiro, ervas mediterrâneas e resinas naturais costuma dividir opiniões logo no primeiro contato. Porém, por trás desse perfil aromático singular, existe uma tradição milenar, cuja origem remonta a um período em que a tecnologia de conservação do vinho dependia da engenhosidade humana e da observação da natureza.

Na Antiguidade, o vinho era transportado e armazenado em ânforas de barro, recipientes naturalmente porosos que permitiam a entrada de oxigênio, favorecendo perdas por evaporação. Para impermeabilizá-los, gregos e romanos revestiam seu interior com resina de pinheiros, especialmente do Pinheiro-de-Alepo (Pinus halepensis). Essa solução mostrou-se extremamente eficaz, reduzindo a oxidação e aumentando a durabilidade do vinho durante longas viagens marítimas. Inevitavelmente, parte dos compostos aromáticos da resina migrava para a bebida, conferindo-lhe um caráter balsâmico e herbáceo que, ao longo dos séculos, deixou de ser uma consequência técnica para se tornar uma característica apreciada pelos consumidores.

Com a substituição das ânforas por recipientes de madeira e, posteriormente, de vidro, a necessidade prática da resina desapareceu. Entretanto, a tradição permaneceu viva na Grécia. Hoje, a Retsina é produzida com a adição controlada de pequenas quantidades de resina durante a fermentação alcoólica. Ao final do processo, a resina sólida é removida, restando apenas seus componentes aromáticos dissolvidos no vinho. O resultado é um branco seco, normalmente elaborado a partir das castas Savatiano, Roditis ou Assyrtiko, que apresenta notas de pinho, tomilho, alecrim, casca de limão, ervas mediterrâneas e um frescor gastronômico característico.

Diante de uma tradição tão peculiar, surge a pergunta: existem outros vinhos resinados além da Retsina? A resposta é sim, embora com ressalvas. Registros históricos de vinhos na antiga Geórgia mostram que ânforas eram vedadas com resinas vegetais e cera de abelha, resultando em discretos traços aromáticos na bebida. Além disso, algumas vinícolas europeias desenvolvem projetos de arqueologia experimental, buscando reproduzir receitas de autores romanos. Contudo, essas iniciativas permanecem limitadas a produções experimentais e não constituem categorias consolidadas no mercado.

É preciso distinguir os vinhos efetivamente resinados daqueles que apenas apresentam aromas semelhantes. Certos brancos envelhecidos sob influência oxidativa podem desenvolver notas que evocam terebintina, mas não houve adição de resina; trata-se da evolução natural dos compostos aromáticos do vinho durante seu amadurecimento.

Talvez pela sua singularidade, a Retsina continue ocupando um espaço próprio no universo do vinho. Sua proposta é preservar um elo entre a viticultura contemporânea e uma prática enológica que atravessou mais de dois milênios. O consumidor brasileiro já encontra boas opções desse estilo, como o Kechribari Retsina, o sofisticado Tear of the Pine, o Tetramythos Retsina, o Gaia Ritinitis Nobilis e o Malamatina Retsina. Todos podem ser encontrados por importadores especializados ou lojas brasileiras dedicadas aos vinhos gregos.

À mesa, a Retsina revela sua verdadeira vocação gastronômica. O Kechribari harmoniza com sardinhas grelhadas e saladas mediterrâneas, enquanto o Tear of the Pine combina com peixes de carne firme. O Tetramythos Retsina é ideal com bacalhau e camarões grelhados, enquanto o Gaia Ritinitis Nobilis encontra parceria com pratos aromáticos. Por fim, o Malamatina é perfeito com petiscos e anchovas. Em todos os casos, trata-se de vinhos que desafiam convenções e recompensam o degustador disposto a entender um dos mais antigos capítulos da história do vinho.

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