Deputada Lucinha vira ré por ligação com milícia no Rio
Deputada Lucinha, do PSD fluminense, passou à condição de ré após o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aceitar, em 15 de dezembro de 2025, a denúncia do Ministério Público que a aponta como aliada da milícia conhecida como Bonde do Zinho, ou Família Braga, atuante na zona oeste da capital.
Denúncia detalha interferência política
De acordo com a acusação, Lucinha e a ex-assessora parlamentar Ariane Afonso Lima teriam usado o mandato para favorecer o grupo criminoso em bairros como Campo Grande, Paciência, Cosmos, Inhoaíba, Guaratiba e Santa Cruz. Entre as ações listadas está o repasse, em julho de 2021, da agenda de visitas do prefeito Eduardo Paes, permitindo que milicianos esvaziassem as ruas onde operam.
O Ministério Público sustenta que a deputada tentou manter a chamada “Brecha da P5” no transporte alternativo municipal, principal fonte de renda direta da organização. A manobra permitiria que vans ligadas à milícia circulassem fora do itinerário regular, aumentando a arrecadação clandestina.
Encontros frequentes com lideranças do Bonde do Zinho
Entre junho de 2021 e março de 2022, Lucinha e Ariane teriam se reunido, em média, duas vezes por mês com integrantes de alto escalão da milícia, inclusive com o chefe conhecido como Zinho, para acertar estratégias de influência na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Nesse período, a deputada nomeou no gabinete pessoas ligadas direta ou indiretamente ao grupo criminoso.
A denúncia ainda relata que a parlamentar recebeu informações sobre investigações em curso para tentar orientar a atuação de autoridades e, em novembro de 2021, atuou para soltar integrantes presos em flagrante.
Risco de perda de mandato e pena de até 10 anos
Lucinha e a ex-assessora responderão pelo artigo 288-A do Código Penal, que trata da constituição de milícia privada, cuja pena varia de cinco a dez anos de prisão, multa e perda da função pública. A deputada chegou a ser afastada do cargo após operação da Polícia Federal no fim de 2023, mas foi reconduzida pela Alerj em votação posterior.
A decisão do TJRJ repercutiu amplamente na imprensa nacional; detalhes adicionais podem ser conferidos na Agência Brasil, veículo de referência em informação pública.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
