Delcy Rodríguez assume presidência interina da Venezuela após sequestro de Maduro
Delcy Rodríguez presidente interina da Venezuela tomou posse perante a Assembleia Nacional na última segunda-feira (5 de janeiro de 2026), dois dias depois do sequestro do então chefe de Estado Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. A vice-presidente juramentou-se prometendo “defender integralmente a nação” e pediu a libertação imediata de Maduro.
Mandato de 90 dias confirmado pelo Supremo
O Supremo Tribunal de Justiça venezuelano designou Rodríguez para um mandato interino de 90 dias, com possibilidade de renovação. A decisão visa garantir a continuidade administrativa enquanto o país enfrenta a intervenção norte-americana. Tanto as Forças Armadas quanto a Assembleia Nacional reconheceram a nomeação, conferindo legitimidade institucional ao novo governo provisório.
Ataque dos EUA levou à captura de Maduro
Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque de grande escala que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa. Horas mais tarde, em coletiva na Casa Branca, o presidente Donald Trump anunciou que Washington “administrará a Venezuela até a conclusão de uma transição de poder”. O anúncio polarizou a comunidade internacional, dividida entre condenar a operação e celebrar a deposição de Maduro.
Primeira mulher a comandar o Executivo venezuelano
Rodríguez tornou-se a primeira mulher a liderar o Executivo venezuelano. No discurso de posse, ela classificou Maduro como “único presidente legítimo” e reafirmou a soberania do país. Analistas políticos apontam que a nova mandatária pode buscar apoio regional para pressionar os EUA a libertarem o antecessor, movimento que já conta com manifestações de aliados tradicionais de Caracas.
Reações internacionais dividem opiniões
Organizações multilaterais como a ONU convocaram reuniões de emergência para analisar a violação da Carta das Nações Unidas. Países alinhados aos EUA elogiaram a operação, enquanto governos latino-americanos, entre eles México e Brasil, pediram a restauração da autonomia venezuelana. A Organização dos Estados Americanos (OEA) ainda não emitiu posicionamento unificado.
Economistas alertam para possíveis impactos no fornecimento global de petróleo, já que a Venezuela possui uma das maiores reservas do mundo. O mercado reagiu rapidamente: o dólar no Brasil recuou para R$ 5,40 e ações de petroleiras sofreram oscilações expressivas na abertura da semana.
Próximos passos
Nas próximas semanas, Delcy Rodríguez deve formar um gabinete emergencial e negociar corredores humanitários para garantir suprimentos básicos. O Exército bolivariano, que declarou fidelidade à presidente interina, já reforça fronteiras e instalações estratégicas. Observadores internacionais acompanham a situação para avaliar eventuais violações de direitos humanos.
O desfecho da crise permanece incerto. Enquanto isso, mobilizações populares acontecem dentro e fora da Venezuela, algumas exigindo o fim da intervenção, outras apoiando a deposição de Maduro.
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Crédito da imagem: Maxim Shemetov/Reuters
Fonte: Agência Brasil
