Cuba completa três meses sem combustível por bloqueio dos EUA
Cuba sem combustível há 90 dias enfrenta a pior crise energética desde o fim da União Soviética, após Washington ameaçar sancionar qualquer país que forneça petróleo à ilha. Em coletiva concedida em Havana, em 13 de março de 2026, o presidente Miguel-Díaz Canel relatou que alguns municípios ficaram até 30 horas sem luz, afetando hospitais, escolas e o transporte público.
Apagões prolongados e pressão sobre a população
Com cerca de 80% da eletricidade gerada por termelétricas movidas a derivados de petróleo, a escassez tem provocado cortes diários. Moradores da capital relatam aumento de preços de alimentos básicos e redução drástica do transporte coletivo, enquanto províncias do interior enfrentam interrupções que podem durar o dia inteiro.
Medidas emergenciais adotadas pelo governo
Para mitigar os efeitos, Havana intensificou a produção de petróleo bruto nacional, instalou novas usinas solares e ampliou a frota de veículos elétricos. Segundo Díaz Canel, fontes renováveis já respondem por até 51% da geração diurna, diminuindo a frequência dos apagões, mas ainda insuficiente para manter serviços essenciais. Cirurgias eletivas seguem suspensas, e milhares de pacientes, inclusive crianças, aguardam energia estável para serem operados.
Negociações iniciais com Washington
Díaz Canel confirmou que emissários cubanos iniciaram conversas preliminares com representantes dos Estados Unidos “sob o princípio de igualdade e respeito à soberania”. As tratativas, mediadas por atores internacionais, buscam uma saída diplomática para o impasse, mas, até o momento, não há indicações de flexibilização das sanções.
Endurecimento do bloqueio
Em 29 de janeiro de 2026, o então presidente norte-americano Donald Trump assinou ordem executiva que classifica Cuba como “ameaça incomum e extraordinária”, ampliando tarifas contra países que comercializem petróleo com a ilha. O bloqueio ocorre em paralelo ao cerco naval à Venezuela, iniciada no fim de 2025, restringindo ainda mais as opções de abastecimento cubano. O embargo econômico dos EUA perdura há 66 anos.
De acordo com a agência Reuters, Washington sinaliza que a suspensão das penalidades depende de mudanças políticas internas em Cuba, condição rejeitada por Havana.
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Crédito da imagem: Reuters/Norlys Perez
Fonte: Reuters/Norlys Perez
