A Apex Partners, criada em 2013 em Vitória (ES), enfrenta uma crise que coloca quase R$1 bilhão em risco. A gestora, que já administrou R$18 bilhões e 8 mil clientes, ganhou destaque ao comprar 15,5% da CVC.
A plataforma de investimentos Apex Partners está no centro de uma crise financeira que envolve quase R$ 1 bilhão. Fundada em 2013 em Vitória, no Espírito Santo, a empresa administra recursos, financia empreendimentos, compra participações em negócios e desenvolve projetos imobiliários. Até então, a Apex chegou a atender cerca de 8 mil clientes e administrar mais de R$ 18 bilhões, com planos de se tornar um banco regional.
A Apex ganhou destaque nacional ao adquirir 15,5% das ações da CVC, a maior agência de viagens do Brasil, por meio de investidores ligados ao grupo. Além disso, no mercado capixaba, a empresa é conhecida pela conexão com os filhos de importantes lideranças políticas do Estado, como Pedro Ferraço, filho do ex-senador e atual governador Ricardo Ferraço, e Victor Casagrande, filho do ex-governador Renato Casagrande.
Casagrande, que governou o Estado em três mandatos, é aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deixou o cargo para concorrer a uma vaga no Senado. Ferraço, que busca reeleição, foi investigado pela Operação Lava Jato em 2017, mas o inquérito foi arquivado no ano seguinte.
No dia 6 de agosto, os sócios da Apex afastaram o fundador e presidente Fernando Cinelli, além do diretor financeiro Eduardo Siqueira, ao identificarem “inconsistências financeiras”. No dia seguinte, a nova administração recorreu à Justiça para proteger o patrimônio de 178 empresas e revelou um passivo bruto preliminar de R$ 985,6 milhões, mais que o dobro do endividamento registrado 18 meses antes.
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O processo está sob a supervisão do juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. O BTG Pactual, que tinha uma parceria de distribuição com a Apex, rescindiu o contrato e suspendeu os resgates de um fundo ligado ao grupo, o que agravou ainda mais a situação da empresa.
A Apex também passou por uma demissão em massa que afetou cerca de 80% de seus funcionários. O grupo foi apelidado de “Master capixaba” devido à combinação de captação cara, ativos de baixa liquidez, negócios entre empresas relacionadas e suas conexões políticas.
A crise financeira da Apex teve início após a compra de ações da CVC, um investimento que começou em 2023 e foi ampliado em 2025 por meio do BRM Carbyne Voyage, um fundo associado ao grupo. Este fundo prometia aos investidores a valorização das ações da CVC ou um rendimento mínimo equivalente ao CDI, que estava próximo de 14% ao ano.
No entanto, as ações da CVC perderam 40% de seu valor em um ano, e a agência registrou um prejuízo de R$ 51,3 milhões no segundo trimestre de 2026, resultando em uma queda de 6,5% na receita. A situação se agravou ainda mais quando a Apex vendeu cerca de 17 milhões de ações da CVC, reduzindo sua participação na empresa de 15,5% para 7,97%.
Além disso, a Rhino Securitizadora, que emitiu títulos responsáveis por quase metade das dívidas da Apex, possui uma ligação histórica com a família do governador Ricardo Ferraço. A crise se intensifica em um momento em que Ferraço busca reeleição e Casagrande se candidata ao Senado, gerando questionamentos sobre a situação financeira da Apex e suas implicações políticas.


