Crime organizado nas eleições: TRE-RJ cria grupo para impedir influência Crime organizado nas eleições motivou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) a instituir o Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, iniciativa voltada a bloquear tentativas de infiltração de facções criminosas no processo político de 2026.
Crime organizado nas eleições: TRE-RJ cria grupo para impedir influência
O plano de atuação do comitê, instituído pelo desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ, foi aprovado em 19 de março, durante reunião que contou com representantes dos setores de inteligência das polícias, do Ministério Público Federal e de outras forças de segurança. A estratégia central é coordenar, integrar e compartilhar informações para garantir uma ação articulada em rede.
Segundo nota do Tribunal, a medida busca evitar que o domínio territorial de facções de tráfico de entorpecentes, milícias ou recursos obtidos em atividades ilícitas resulte em coação ao eleitor, financiamento irregular de campanhas ou registro de candidaturas ligadas ao crime. “Nosso cenário de segurança é singular e exige a união do melhor das inteligências estatais para blindar Executivo e Legislativo da influência criminosa”, afirmou o desembargador Claudio de Mello Tavares.
Para ele, permitir que organizações ilegais se instalem no Estado, com poder para formular políticas públicas, colocaria a democracia em risco. “Com o empenho de cada órgão envolvido, vamos sanear o processo eleitoral e servir de referência ao país”, acrescentou.
Duas frentes de atuação
O grupo trabalhará em duas linhas. A primeira concentra-se na identificação, análise e eventual substituição de locais de votação situados em áreas consideradas de alto risco. A ação, iniciada nas eleições municipais de 2024 pela Coordenadoria de Inteligência e Segurança Institucional do TRE-RJ, prossegue para assegurar que o eleitor exerça o voto de forma livre e consciente, livre de pressões externas.
A segunda frente envolve o intercâmbio de dados de inteligência sobre candidaturas com indícios de vínculo com o crime organizado. As informações resultarão em relatórios enviados à Procuradoria Regional Eleitoral. Caso o Ministério Público identifique elementos suficientes, poderá pedir o indeferimento do registro dessas candidaturas perante o Pleno do TRE-RJ.
Iniciativas semelhantes já são recomendadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, em diretrizes recentes, reforçou a importância de órgãos locais formarem redes de proteção à lisura do pleito.
Cooperação interinstitucional reforçada
Além de polícias Civil, Militar e Federal, o comitê reúne representantes da Secretaria de Administração Penitenciária, da Defesa Civil e de agências estaduais de inteligência. A expectativa é que a troca constante de informações, antes restrita a operações pontuais, se transforme em fluxo permanente até o encerramento das eleições gerais de 2026.
Para monitorar a eficácia do trabalho, relatórios periódicos serão apresentados ao plenário do TRE-RJ. Entre os indicadores estão o número de locais de votação realocados, a quantidade de candidaturas barradas por suspeita de ligação criminosa e eventuais registros de coação ao eleitor.
Em síntese, o TRE-RJ aposta na união de forças para manter a integridade do pleito e impedir que o crime organizado nas eleições comprometa a vontade popular.
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Crédito da imagem: Divulgação/TRE-RJ
Fonte: Divulgação/TRE-RJ
