CPI do Crime amplia investigação sobre PCC e Banco Master A Comissão Parlamentar de Inquérito que apura o Crime Organizado no Senado aprovou mais de 20 requerimentos, voltando-se ao braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Avenida Faria Lima e às ligações do Banco Master.
CPI do Crime amplia investigação sobre PCC e Banco Master
Quebras de sigilo miram núcleo financeiro do PCC
Em reunião realizada na última quarta-feira (11 de março), os senadores decidiram quebrar sigilos bancário, fiscal e telefônico de empresários apontados pela Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que identificou um esquema de lavagem de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Entre os alvos estão Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, Mohamad Hussein Mourad e Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, além de Danilo Berndt Trent, sócio oculto da empresa.
Relatórios da PF indicam que postos de combustíveis e fundos de investimento eram usados para mascarar a origem dos recursos, consolidando a Faria Lima como epicentro das movimentações ilícitas. A comissão também solicitou informações complementares ao Supremo Tribunal Federal sobre a prisão de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que tentou contra a própria vida após ser detido.
Banco Master e “A Turma” entram na mira
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é apontado como articulador de um esquema de fraudes de cerca de R$ 50 bilhões. A CPI quebrou sigilos da Varajo Consultoria, da King Participações Imobiliárias e da King Motors, empresas ligadas ao grupo. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi convocado após indícios de ligações financeiras diretas com a Reag Investimentos e o próprio Master.
Paralelamente, o grupo de comunicação chamado A Turma, usado para monitorar e intimidar adversários de Vorcaro, também foi alvo. A comissão convocou Ana Cláudia Queiroz de Paiva, suspeita de organizar pagamentos, e quebrou os sigilos de Marilson Roseno da Silva, ex-escrivão da PF detido como um dos principais operadores. Conversas obtidas pela investigação mostraram planos para agredir o jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
Ex-diretores do Banco Central são convocados
Os senadores chamaram o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana. Segundo relatório da PF, ambos atuaram como consultores informais de Vorcaro durante a compra do antigo Banco Máxima, atual Master, repassando informações sigilosas sobre operações do BC.
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Outro convocado é Leonardo Augusto Furtado Palhares, chefe da Varajo Consultoria, apontada como responsável por oferecer pagamentos a um servidor do Banco Central. Para o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), as quebras de sigilo permitem rastrear “canais de cumplicidade institucional” que sustentariam o esquema.
Uso de aeronaves particulares sob suspeita
A CPI também solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil a lista de passageiros que utilizaram o avião de um empresário aliado de Vorcaro. Matérias divulgadas pela imprensa e indícios reunidos na Operação Compliance Zero sugerem que autoridades de alto escalão viajaram na aeronave. A prática pode configurar tráfico de influência, informou o relator.
Em documento de 30 páginas, o senador Humberto Costa (PT-PE) justificou que “o aprofundamento das quebras de sigilo é essencial para rastrear a movimentação de capitais que beneficiou o PCC”. Segundo o Ministério Público Federal, esse braço financeiro do crime organizado utiliza mecanismos sofisticados de mercado, tendência confirmada por especialistas da Fundação Getulio Vargas.
No próximo bloco de depoimentos, a CPI pretende ouvir Vladimir Timerman, empresário que denuncia fraudes no Banco Master há anos. A expectativa é que as oitivas ocorram ainda neste mês de março.
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Crédito da imagem: Agência Senado
Fonte: Agência Senado
