Hackers usaram dados de agentes do Pará para enviar dez alertas falsos a milhões de celulares. A ação atingiu SP, RJ, BA e mais cinco estados, gerando pânico. PF investiga o caso.
Na madrugada de sábado, dia 20 de junho, a utilização indevida das credenciais de dois agentes da Defesa Civil do Pará resultou no envio de dez alertas falsos para milhões de celulares em sete estados e no Distrito Federal. As mensagens chegaram a regiões como São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Acre, destacando a gravidade da situação.
O governo federal comunicou à Polícia Federal que o problema se agrava, uma vez que os alertas foram disparados fora da área de atuação autorizada para os agentes envolvidos, que tinham permissão apenas para operar no Pará.
“Os disparos atingiram áreas fora da atuação autorizada dos agentes envolvidos”, informou o governo federal.
O primeiro alerta falso foi enviado às 23h41 de sexta-feira, 19, utilizando a credencial de um dos agentes. A mensagem, que chegou a celulares do Rio de Janeiro, estava registrada na categoria “deslizamentos” e continha um texto confuso: “misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”. Apenas quatro minutos depois, novos alertas foram enviados para Curitiba, com a palavra “misantropia”.
Entre 1h20 e 1h23 do dia 20, mais oito disparos ocorreram, desta vez com a utilização da credencial do segundo agente, e a maioria das mensagens continha a expressão “misantropi4”. A operação foi realizada por meio da tecnologia cell broadcast, que permite o envio automático de mensagens para celulares conectados a antenas de determinada região, enquanto um dos alertas foi enviado por SMS.
Todas as mensagens foram classificadas como alertas de “nível extremo”, uma categoria que indica a necessidade de ação imediata de proteção. Contudo, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil revelou que o conteúdo das mensagens era incoerente e não obedecia aos protocolos da área.
“As mensagens apresentavam expressões ofensivas, incoerentes e sem relação com eventos reais”, afirmou a Secretaria.
O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, indicou que os indícios apontam para um ataque cibernético. Após o incidente, a Defesa Civil Nacional retirou a plataforma de envio de alertas do ar por volta de 1h30 de sábado e acionou a Polícia Federal para investigar o caso. Uma investigação preliminar foi iniciada no mesmo dia.
Documentos internos do governo informam que a equipe responsável pela plataforma bloqueou a credencial utilizada nos primeiros disparos. Em seguida, uma segunda credencial vinculada ao órgão no Pará foi ativada. O ataque visou a plataforma Idap (Integração de Dados de Alerta à População) e resultou em acionamentos não autorizados do sistema Defesa Civil Alerta (DCA), levando ao envio de mensagens sem a devida solicitação ou validação das autoridades competentes.
O governo também notificou o Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal sobre o incidente.

