CPI do Crime Organizado: senadores rejeitam relatório final A Comissão Parlamentar de Inquérito dedicada ao crime organizado encerrou seus 120 dias de atividades em 14 de abril de 2026 com a rejeição, por 6 votos a 4, do parecer do relator Alessandro Vieira (MDB-SE), que propunha o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República.
CPI do Crime Organizado: senadores rejeitam relatório final
O resultado derruba o único documento oficial que sintetizava as investigações sobre facções, milícias e lavagem de dinheiro em todo o país. Entre os senadores que votaram contra o texto estavam Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE). Favoráveis ao relatório ficaram Alessandro Vieira, Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES).
Antes da votação, o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), lamentou que o colegiado não tenha sido prorrogado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Contarato criticou também decisões do STF que, segundo ele, restringiram depoimentos e o acesso a informações da Polícia Federal, mas posicionou-se contra o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. “O ato de indiciar traz consequências graves para a reputação de qualquer pessoa”, enfatizou.
Alessandro Vieira, por sua vez, atribuiu a derrota a uma “intervenção direta do Palácio do Planalto” e afirmou que a discussão sobre o indiciamento de magistrados “apenas foi adiada”. O líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), rebateu, dizendo que CPIs devem priorizar a investigação, e não disputas políticas. Ele destacou que nomes como Fabiano Zettel, Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não foram alvos de pedido de indiciamento.
O relatório rejeitado apontava que 90 organizações criminosas atuam no país; duas delas, presentes em 24 estados e no Distrito Federal, exercem influência nacional e transnacional. Conforme o documento, 26 % do território brasileiro estaria sob algum grau de domínio de facções, impactando 28,5 milhões de habitantes. A lavagem de dinheiro foi descrita como eixo central das atividades ilícitas, alcançando segmentos que vão do mercado imobiliário a criptomoedas.
Entre as experiências consideradas bem-sucedidas no enfrentamento às facções, Vieira citou as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) e operações que apreenderam mais de R$ 4 bilhões, como a Carbono Oculto. Para o relator, a descapitalização financeira das quadrilhas mostra-se mais eficaz do que ações policiais convencionais.
Na sessão de 14 de abril, a composição da CPI também mudou: Teresa Leitão e Beto Faro assumiram as vagas de Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) após solicitação do líder de bloco Eduardo Braga (MDB-AM). A alteração influenciou diretamente o placar final.
Sem aprovação do parecer, o colegiado encerra sem recomendar projetos de lei, indiciamentos ou pedidos formais de investigação adicionais. Ainda assim, Contarato defendeu que o material coletado possa subsidiar futuras iniciativas legislativas e investigações de órgãos de segurança pública.
De acordo com informações do Senado Federal, a ata da reunião final e todos os documentos produzidos permanecerão acessíveis para consulta pública.
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Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
