A Copa do Mundo de 2026, que acontecerá entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, já se depara com um adversário inesperado: o clima. Especialistas apontam que a combinação de calor intenso, umidade elevada, tempestades elétricas e fumaça de incêndios florestais pode trazer atrasos e interrupções inéditas durante o torneio.
As temperaturas acima dos 30°C são comuns no verão norte-americano, especialmente nas cidades que sediarão as partidas. Esse calor, aliado à umidade, aumenta a sensação térmica e pode dificultar a recuperação física dos jogadores. Além disso, eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e podem impactar diretamente o cronograma do campeonato.
Nos Estados Unidos, existem protocolos que determinam a interrupção automática de eventos ao ar livre quando raios são registrados a uma distância de 13 a 16 quilômetros do local da partida. Essa regra estabelece uma pausa mínima de 30 minutos, mas cada novo raio reinicia a contagem, podendo transformar uma breve interrupção em horas de atraso.
O alerta sobre possíveis atrasos ganhou força após o Mundial de Clubes de 2025, onde várias partidas sofreram atrasos por conta das condições meteorológicas. Especialistas temem que esses episódios se repitam com mais frequência na Copa do Mundo. A pesquisadora climática Kelsey Malloy destaca que, embora o aquecimento global não tenha permitido identificar uma tendência definitiva no comportamento dos raios, há uma expectativa de aumento em certas regiões, devido à intensificação das correntes de ar e ao volume de chuvas.
A FIFA, em um esforço para minimizar os riscos, selecionou estádios com coberturas retráteis e climatização, como em Atlanta, Dallas, Houston, Los Angeles e Vancouver. No entanto, muitos jogos ainda ocorrerão em estádios abertos, expondo o torneio às variações climáticas.
Outra preocupação é a qualidade do ar, já que incêndios florestais recorrentes em partes do Canadá e do oeste americano podem impactar eventos esportivos, gerando restrições. O calor também levanta preocupações sobre o desempenho físico dos atletas. Durante o Mundial de Clubes do ano passado, diversas partidas foram realizadas com temperaturas superiores a 32°C, com uma sensação térmica ainda mais elevada devido à umidade.
Um estudo recente sugere que cerca de um quarto dos jogos da Copa pode ocorrer sob condições de “calor extenuante”, incluindo a partida decisiva no MetLife Stadium. Para minimizar riscos, a FIFA prevê pausas obrigatórias para hidratação, mas o médico Chris Mullington alerta que alguns atletas podem não conseguir manter o nível de intensidade física habitual.
A situação pode ser ainda mais delicada para os torcedores, que ficarão expostos ao sol por horas. Aqueles que consumirem bebidas alcoólicas têm um risco maior de desidratação e outros problemas de saúde. Recentemente, um grupo de jogadores profissionais e ex-atletas entregou uma petição à FIFA pedindo mudanças nos protocolos de estresse térmico para a Copa de 2026, ressaltando os riscos associados ao calor extremo.
Com isso, a Copa do Mundo de 2026 pode se tornar um dos maiores testes já realizados para eventos esportivos em uma era de mudanças climáticas.
