A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar bilhões de dólares, mas o impacto econômico real para as cidades-sede pode ser bem diferente do que se imagina. A organização do evento estima um faturamento entre US$ 11 bilhões e US$ 14 bilhões, oriundos de direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos. No entanto, as 16 cidades que receberão os jogos devem ver um retorno financeiro bem mais modesto.
Cidades como Nova York, Los Angeles e Miami esperam atrair um grande número de turistas, mas precisam considerar os altos gastos com segurança e infraestrutura necessários para a realização do evento. Os lucros das cidades não vêm apenas da venda de ingressos, mas sim do setor de serviços, que deve captar cerca de 80% do dinheiro gasto pelos visitantes durante o torneio.
“O verdadeiro impacto econômico para as prefeituras depende da capacidade de atrair torcedores para gastar em restaurantes, bares e shoppings”, afirma um especialista em economia esportiva.
A estrutura do evento beneficia diretamente a entidade organizadora, que centraliza a maior parte das receitas. Os contratos estabelecem que as cidades-sede não recebem os lucros gerados no dia do jogo, conhecido como matchday. Em contrapartida, os custos operacionais ficam a cargo das prefeituras e governos estaduais, que precisam investir em segurança, logística e infraestrutura.
No Canadá, por exemplo, o custo estimado para operar cada jogo é de aproximadamente CAD 82 milhões, o que exige um forte apoio governamental para cobrir as despesas. Essa configuração levanta questões sobre o verdadeiro lucro que os cidadãos poderão ver após o evento.
A edição de 2026, que contará com 48 seleções e 104 partidas, terá um impacto desigual nas economias dos países envolvidos. Os Estados Unidos, que sediarão 78 partidas em 11 cidades, projetam uma contribuição de até US$ 17,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB). Nova York e Nova Jersey, sozinhas, esperam um impacto de US$ 3,3 bilhões, com a expectativa de atrair mais de um milhão de visitantes e gerar 26 mil empregos temporários.
O México, embora receba apenas 13 jogos, poderá ter um acréscimo significativo em sua economia, projetando um impacto de US$ 11 bilhões. Já o Canadá, com expectativas de gerar aproximadamente CAD 3,8 bilhões, enfrenta um dilema sobre os altos custos operacionais que podem diminuir o lucro final disponível para a população.
Economistas alertam que os benefícios econômicos de megaeventos esportivos são frequentemente superestimados, citando o efeito de substituição, onde os turistas internacionais substituem visitantes regulares que evitam as cidades durante a competição. Além disso, a inflação temporária nos serviços locais pode impactar negativamente a população residente, que verá preços elevados durante o evento.
Ainda assim, o setor privado está otimista com a chegada da Copa do Mundo. Empresas de vestuário esportivo, fabricantes de bebidas e companhias aéreas esperam um aumento significativo nas vendas, o que pode trazer um alívio financeiro à economia local.
