Conselho de Transição do Haiti encerra mandato após pressão dos EUA foi a decisão anunciada em Porto Príncipe no último sábado (7 de fevereiro de 2026), quando o presidente do órgão colegiado, Laurent Saint-Cyr, declarou concluída a gestão de dois anos sem abrir vácuo de poder no país caribenho.
Conselho de Transição do Haiti encerra mandato após pressão dos EUA
Segundo Saint-Cyr, o Conselho Presidencial de Transição (CPT) transfere integralmente a administração ao gabinete liderado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. “A ordem é clara: segurança, diálogo político, eleições e estabilidade”, afirmou o dirigente, destacando que “sai com a consciência tranquila” após conduzir o processo iniciado em abril de 2024, quando o CPT assumiu o Executivo depois da renúncia de Ariel Henry.
Ameaça de intervenção norte-americana
Nas horas que antecederam o encerramento do mandato, o CPT cogitou destituir Fils-Aimé. A mera possibilidade levou o governo de Donald Trump a deslocar os navios de guerra USS Stockdale, USCGC Stone e USCGC Diligence até a Baía de Porto Príncipe, dentro da Operação Lança do Sul. Em nota, a embaixada dos Estados Unidos declarou que qualquer alteração na composição do governo seria tratada como “ameaça à estabilidade regional” e que Washington adotaria “medidas adequadas” para evitar mudanças.
Segurança e gangues armadas
O domínio de grupos criminosos segue como principal desafio. O professor Ricardo Seitenfus, aposentado da Universidade Federal de Santa Maria e referência em estudos sobre o Haiti, relatou melhora gradual no controle territorial: “Os bairros estão sendo liberados, e as gangues começam a recuar”. Ele defende que “eleições rápidas” são essenciais para consolidar avanços.
Entre as ações de segurança está a missão multinacional aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, que autoriza força chefiada pelo Quênia a apoiar a Polícia Nacional Haitiana no combate às quadrilhas.
Próximos passos eleitorais
Sem eleições desde 2016, o Haiti planeja ir às urnas entre outubro e novembro de 2026. Fils-Aimé, agora confirmado, permanece responsável por organizar o pleito e manter o diálogo político com as nove correntes representadas no extinto Conselho. Até o momento, não houve consenso para nomear um presidente interino; a chefia de Estado permanece concentrada no primeiro-ministro.
O desfecho reforça a influência externa sobre a política haitiana e mantém a expectativa de que, sob nova estrutura, o país retome a normalidade institucional. A comunidade internacional observa se a agenda de segurança e as regras eleitorais serão cumpridas dentro do prazo anunciado.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
