Andy Burnham, nascido há 56 anos em Liverpool, é o novo primeiro-ministro do Reino Unido. Ele ganhou notoriedade como prefeito da Grande Manchester, cargo que ocupou de 2017 até o mês passado, onde recebeu o apelido de “rei do norte”. Agora, Burnham se muda para Downing Street, em Londres, com a intenção de descentralizar a política e a economia britânicas, buscando que as decisões não sejam tomadas apenas na capital.
Um dos principais objetivos de Burnham durante seu tempo à frente da prefeitura foi reivindicar mais autonomia para as cidades e regiões da Inglaterra. Considerado um político mais à esquerda que seu antecessor, Keir Starmer, Burnham não se alinha à ala mais radical do Partido Trabalhista, que é associada a Jeremy Corbyn.
O novo primeiro-ministro acredita que o modelo britânico é excessivamente centralizado. Ele defende que as autoridades locais devem ter mais controle sobre áreas essenciais como transporte, habitação, formação profissional e desenvolvimento econômico. “O crescimento precisa ser sentido em todas as partes do país”, afirmou Burnham em suas declarações mais recentes. Ele reforça que é necessário criar uma economia que beneficie todas as comunidades e não apenas Londres.
Burnham começou a sonhar em liderar o Partido Trabalhista após a derrota da legenda nas eleições gerais de 2010, que resultou em 14 anos de governos conservadores. Desde então, ele se tornou uma das principais vozes da oposição e, antes de 2026, tentou a liderança do partido duas vezes, em 2010 e 2015, sem sucesso. Nas primeiras tentativas, perdeu para Ed Miliband e, em seguida, para Jeremy Corbyn.
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Antes dessas tentativas, Burnham ocupou diversos cargos nos governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown, incluindo os de ministro da Saúde e vice-ministro das Finanças. Após suas duas derrotas na liderança, ele decidiu concorrer à prefeitura da Grande Manchester, onde se destacou por ampliar o transporte público e melhorar a saúde pública. Ele implementou programas de saúde mental e buscou atrair investimentos para a região.
Durante sua gestão, Burnham também se destacou em um embate com o então primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, em outubro de 2020. Naquele momento, ele se opôs a restrições impostas pelo governo durante a pandemia de covid-19, argumentando que essas medidas deveriam vir acompanhadas de apoio econômico adequado para trabalhadores e empresas. Esse posicionamento solidificou sua imagem como um defensor dos interesses do norte da Inglaterra.
A popularidade de Burnham cresceu ao longo dos anos, e sua atuação na prefeitura foi elogiada. Ele não concorreu à liderança do Partido Trabalhista em 2020, que foi vencida por Keir Starmer. Contudo, com a descida da popularidade de Starmer em meio a escândalos e a crise econômica, Burnham foi finalmente eleito para liderar o partido em sua terceira tentativa. Em maio, ele declarou que pretende levar ao restante do país as conquistas alcançadas em sua gestão na Grande Manchester.
