Especialistas dizem que a escalada, com aliados do Irã, pode gerar interrupções no petróleo e subir preços globais. Isso dificulta reduzir a inflação e pressiona a taxa de juros.
A ampliação do conflito entre Estados Unidos e Irã poderá provocar novos impactos na economia mundial e dificultar a redução da inflação e dos juros no Brasil. Essa análise foi feita por um professor de economia em uma entrevista recente, onde foram discutidos os efeitos da escalada da tensão no Oriente Médio.
O economista destacou que a entrada de novos atores no conflito, como os houthis, que são apoiados pelo Irã, aumenta o risco de interrupções no transporte de petróleo em rotas estratégicas, como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb.
“O petróleo ainda é o principal combustível da economia mundial. Toda vez que o Estreito de Ormuz é fechado ou há uma ampliação do conflito, isso traz impactos negativos não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro”, afirmou.
Ele comentou que a estratégia do Irã não se baseia em uma guerra convencional contra os Estados Unidos, mas sim em ações que visam pressionar economicamente o Ocidente.
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“O Irã percebeu que não tem capacidade de lutar com os Estados Unidos de forma convencional. Então faz uma guerra estratégica, tentando reduzir a passagem de petróleo e aumentar as pressões inflacionárias”, explicou.
Na opinião do professor, a recente alta do petróleo já alterou as perspectivas econômicas para o Brasil em 2026. A expectativa de inflação, que no início do ano girava em torno de 4%, agora supera 5%. Além disso, a projeção para a taxa Selic passou de cerca de 12% para 14%.
“O combustível afeta toda a cadeia produtiva. Os alimentos ficam mais caros porque dependem do transporte, assim como diversos outros produtos. E juros em 14% inviabilizam muitos investimentos”, afirmou.
Por fim, o economista ressaltou que o cenário é especialmente preocupante para o Brasil devido à situação fiscal do país. O Brasil já enfrentava uma situação fiscal complicada, e um choque de oferta como esse tende a impactar ainda mais quem já lida com juros elevados e dificuldades nas contas públicas.
“O Brasil já estava numa situação fiscal bastante ruim. Um choque de oferta como esse acaba impactando de forma ainda mais forte quem já enfrenta juros elevados e dificuldades nas contas públicas”, concluiu.
