O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos apresenta uma queda significativa no primeiro semestre de 2026, atingindo o menor nível para o período nos últimos cinco anos. De janeiro a junho, a corrente de comércio entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões, representando uma redução de 12,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 8, pelo Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
As exportações brasileiras para o mercado norte-americano totalizaram US$ 17,4 bilhões, o que significa um recuo de 13% na comparação anual. Com isso, a participação dos Estados Unidos nas vendas externas do Brasil caiu para 9,4%, o menor percentual registrado em um primeiro semestre desde 1997. Este desempenho contrasta com a evolução das exportações brasileiras para outros mercados, já que as vendas externas do Brasil cresceram 11,5% no acumulado do semestre.
Os maiores avanços nas exportações brasileiras foram observados para a China, com alta de 21,9%, e para a União Europeia, que avançaram 12,8%. A indústria de transformação, que é o principal componente da pauta exportadora para os Estados Unidos, respondeu por 83,9% das vendas ao país, mas apresentou uma retração de 8,7%, totalizando US$ 14,6 bilhões. Essa foi a primeira queda do setor desde o período da pandemia.
“Os semiacabados de ferro e aço foram os produtos mais afetados, com uma queda de 21,7% nas exportações, refletindo o impacto das sobretaxas impostas ao segmento”, destacou a Amcham.
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Entretanto, alguns setores mostraram um desempenho positivo. As exportações de aeronaves cresceram 32,9% e as vendas de carne bovina aumentaram 41% no período. Apesar do resultado negativo no acumulado do semestre, o comércio demonstrou sinais de recuperação em junho, com as exportações brasileiras para os Estados Unidos avançando 3,7% em valor, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de retração.
Além disso, as importações brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram. No primeiro semestre, o Brasil adquiriu US$ 18,95 bilhões dos Estados Unidos, uma redução de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A queda de 76% nas aquisições de máquinas e motores não elétricos teve um grande impacto, representando uma diminuição de US$ 2,7 bilhões nas compras desse segmento.
Apesar da retração simultânea das exportações e importações, a balança comercial entre os dois países permaneceu deficitária para o Brasil, com um saldo negativo de US$ 1,5 bilhão no semestre. No entanto, esse resultado representa uma melhora de 6,9% em comparação com o déficit registrado no mesmo período de 2025.
Na análise regional, São Paulo continuou a liderar as relações comerciais com os Estados Unidos, respondendo por 34,5% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano e por 38,2% das importações provenientes do país. O Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem na sequência, com participações de 16,7% e 10,9% nas exportações, respectivamente, e de 8,4% e 7% nas importações.


