Anunciado em 11/08/2026, o acordo restabelece serviços consulares entre Israel e Venezuela após 17 anos. Sinaliza mudança na política externa venezuelana, mas não implica reabertura de embaixadas nem retorno total das relações.
A decisão conjunta de Israel e da Venezuela, anunciada na quarta-feira, 11 de agosto de 2026, marca o restabelecimento dos serviços consulares entre os dois países, após um hiato de 17 anos. Essa reaproximação sinaliza uma mudança significativa na política externa venezuelana, que anteriormente era caracterizada pela hostilidade em relação a Israel e pela aliança com o Irã.
No entanto, o acordo não implica ainda na retomada total das relações diplomáticas ou na reabertura das embaixadas. O entendimento foi alcançado por meio de conversas entre os chanceleres da Venezuela e de Israel, Félix Plasencia e Gideon Sa’ar, respectivamente.
Uma estrutura coordenada foi estabelecida com o objetivo de oferecer serviços consulares aos cidadãos de ambos os países. Além disso, a cooperação técnica relacionada a operações de emergência e recuperação, particularmente após os terremotos que atingiram a Venezuela em junho, será mantida.
Desde o início de julho, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, já havia se reunido com oficiais do Comando da Frente Interna das Forças de Defesa de Israel, dando início a esta nova fase nas relações.
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As relações entre Israel e Venezuela estavam comprometidas desde a era de Hugo Chávez, que governou entre 1999 e 2013. O ponto culminante da tensão ocorreu em 2009, quando Chávez acusou Israel de ações agressivas na Faixa de Gaza, resultando na expulsão do embaixador israelense e de outros diplomatas. Nicolás Maduro, que assumiu a presidência em 2013, manteve a mesma linha de hostilidade.
Ao longo dos anos, a comunidade judaica na Venezuela sofreu uma drástica redução. Antes da ascensão de Chávez, cerca de 25 mil judeus viviam no país. Atualmente, estima-se que apenas quatro mil permaneçam, enquanto muitos migraram para os Estados Unidos, Israel e outros países da América Latina.
A reaproximação entre os dois países foi acelerada após os terremotos devastadores que ocorreram em 24 de junho, resultando na morte de mais de 6.300 pessoas. Israel enviou uma equipe humanitária para ajudar nas operações de socorro, estabelecendo um contato direto com as autoridades venezuelanas e facilitando a reabertura dos canais oficiais.
Delcy Rodríguez adota uma postura distinta em relação à política externa de seu antecessor, mostrando-se mais aberta ao diálogo e à cooperação. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também reconheceu as mudanças, elogiando a ajuda humanitária enviada e a importância da reconstrução das relações bilaterais.
Historicamente, sob Chávez, a Venezuela se aproximou do Irã, buscando fortalecer vínculos políticos e econômicos. Durante seu governo, foram firmados diversos acordos nas áreas de energia, agricultura e comércio. No entanto, as sanções impostas pelos Estados Unidos limitaram o acesso de ambos os países aos mercados internacionais, levando a uma dependência mútua.
