Combate ao antissemitismo ganhou novo fôlego no Palácio do Planalto, onde representantes do Executivo, pesquisadores e líderes da comunidade judaica delinearam estratégias educativas para prevenir crimes de ódio e proteger a democracia.
Combate ao antissemitismo
Na última quarta-feira (28 de janeiro de 2026), o governo federal promoveu um encontro voltado a políticas de enfrentamento à discriminação contra judeus. A reunião contou com rabinos, acadêmicos de cinco universidades, integrantes de movimentos sociais – como Judeus pela Democracia e Casa do Povo – e representantes de instituições, entre elas o Museu do Holocausto de Curitiba.
Presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin destacou que a contribuição judaica ao país é “ampla e histórica” em áreas como ciência, cultura e medicina. Para ele, propostas concretas precisam avançar “para fazer justiça à comunidade judaica e fortalecer valores essenciais à civilização”.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, frisou que o enfrentamento ao antissemitismo integra o compromisso do governo Lula contra todas as formas de preconceito. Ela recordou a visita de Estado de 2010 a Israel e reforçou a defesa brasileira de dois estados soberanos, Israel e Palestina.
Também presente, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, relacionou a preservação democrática ao combate às manifestações de ódio, alertando para riscos institucionais decorrentes da intolerância.
Para o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, o debate ocorre em momento crítico, marcado por crescimento global de incidentes antijudaicos. Ele avaliou que a iniciativa dá visibilidade ao problema e estimula ações conjuntas entre Estado e sociedade civil.
O eixo educacional guiou grande parte das discussões. Gleisi Hoffmann classificou currículos abrangentes como “fundamentais” para reverter o cenário de intolerância. A historiadora Lilia Schwarcz, professora da USP, participou on-line e afirmou que apenas denúncia e judicialização “não bastam sem políticas educacionais estruturadas”. Segundo ela, o tema costuma surgir pontualmente, limitado ao Holocausto, e precisa ser ampliado para promover letramento e empatia.
O arcabouço jurídico brasileiro já condena o antissemitismo. A Constituição de 1988 assegura liberdade religiosa; a Lei nº 7.716/1989 criminaliza discriminação étnica; tratados como a Declaração Universal dos Direitos Humanos reforçam o compromisso. Ainda assim, participantes defenderam reforço a programas escolares e campanhas públicas.
Experiências internacionais foram citadas como referência. Documentos da Organização das Nações Unidas recomendam educação como ferramenta central na prevenção a crimes de ódio, alinhando-se às propostas discutidas no encontro brasileiro.
Ao fim do evento, ficou pactuada a criação de um grupo de trabalho interministerial para elaborar material didático, formar professores e monitorar incidentes antissemitas. Relatórios periódicos deverão ser apresentados à Casa Civil e ao Ministério da Educação.
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Crédito da imagem: Valdenio Vieira / SEAUD-PR
Fonte: Agência Brasil
