Cigarros com sabor elevam dependência de jovens ao tornarem o primeiro contato com a nicotina mais atrativo, conclui o Instituto Nacional de Câncer (INCA) em apresentação realizada em 28 de maio, durante as ações do Dia Mundial sem Tabaco.
Indústria da nicotina mira adolescentes
O diretor-geral do INCA, Roberto Gil, afirmou que a preocupação atual vai além do tabaco convencional e inclui toda a “indústria da nicotina”, cuja estratégia é facilitar a iniciação de crianças, adolescentes e jovens. Entre os principais alvos da crítica estão os cigarros aromáticos e os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), como vapes e pods, que adicionam sabores doces ou refrescantes ao produto.
Números que reforçam o alerta
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indicam que 2,6 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos consomem tabaco nas Américas, sendo que dois milhões usam cigarros eletrônicos. No Brasil, estudo do INCA apresentado em 2025 estima gasto anual de até R$ 153 bilhões com doenças ligadas ao tabagismo.
Legislação contestada pela indústria
Desde 2012, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe aditivos que conferem sabor, aroma, cor ou estimulem a palatabilidade em derivados do tabaco. Mesmo assim, fabricantes seguem questionando a norma na Justiça, alegando inviabilidade de produção sem os aditivos.
Artigo publicado na revista científica Tobacco Control rebate o argumento. Analisando dados da Anvisa, pesquisadores constataram que, em 2025, cerca de metade das marcas registradas no país já não utilizava as substâncias vetadas, demonstrando viabilidade técnica e econômica.
Pressão por decisão definitiva do STF
Roberto Gil defende que o Supremo Tribunal Federal ratifique a validade nacional da RDC para impedir novas contestações. Segundo ele, “o tabagismo se converte em doença pediátrica” ao atingir pessoas com menos de 20 anos, exigindo vigilância redobrada de pediatras e autoridades sanitárias.
Consequências para a saúde
A coordenadora de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, reforçou que não existe “dispositivo eletrônico para fumar seguro”. A pasta coordena, por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, ações de prevenção, oferta de tratamento e proteção contra a fumaça do tabaco.
Considerado fator de risco comum a doenças crônicas como câncer, diabetes, enfermidades cardiovasculares e respiratórias, o uso de nicotina em qualquer formato continua sendo um dos principais desafios da saúde pública brasileira.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
