O verão de 2026 trouxe ondas de calor intensas para a Europa, com temperaturas superando os 40°C em países como França, Itália e Espanha. Esse fenômeno, conhecido como domo de calor, transformou as caminhadas ao ar livre em atividades exaustivas e arriscadas para a saúde dos turistas. Para contornar as altas temperaturas e ainda aproveitar a cultura local, muitos viajantes estão redirecionando seus roteiros para o subsolo, onde uma vasta rede de catacumbas, aquedutos antigos e cidades escavadas na rocha mantém temperaturas entre 10°C e 18°C.
A transição do calor extremo da superfície para o frescor subterrâneo exige algumas adaptações. Mesmo com o termômetro marcando 40°C, é essencial levar um casaco leve ou um suéter na mochila, pois o choque térmico ao descer é imediato. O chão nessas galerias pode ser irregular, úmido e escorregadio, tornando necessário o uso de calçados fechados e antiderrapantes para garantir a segurança durante a visita.
Outro aspecto importante do planejamento é a compra antecipada de ingressos. A demanda por atrações fechadas e climatizadas cresceu com a limitação de passeios externos. Muitos locais históricos operam com um número restrito de visitantes ao mesmo tempo, para preservar o patrimônio e garantir a ventilação adequada. Tentar adquirir bilhetes na hora pode resultar em longas esperas sob o sol ou até mesmo na frustração de encontrar as bilheteiras esgotadas.
É importante também considerar o conforto em espaços confinados. Turistas que sofrem de claustrofobia severa ou têm mobilidade reduzida devem verificar a acessibilidade e a arquitetura de cada local antes de visitar, já que muitos sítios arqueológicos não possuem elevadores e exigem que o público desça e suba longas escadarias em espiral.
O mapa subterrâneo da Europa é rico em complexos arquitetônicos que já serviram como cemitérios, abrigos antiaéreos e até cidades inteiras. As Catacumbas de Paris, por exemplo, são um dos locais mais visitados. A 20 metros de profundidade, os visitantes percorrem um circuito de 1,5 quilômetro cercado pelos ossos de milhões de parisienses. A temperatura no local permanece estável em 14°C durante todo o ano, com ingressos custando cerca de 31 euros.
Na região sul da Itália, o Napoli Sotterranea revela o passado greco-romano da cidade, com entrada escondida na Piazza San Gaetano. O percurso, que leva 90 minutos, passa por aquedutos antigos e abrigos da Segunda Guerra Mundial, com temperatura agradável de 18°C. A entrada custa 15 euros por pessoa.
Para quem viaja até a Turquia, a Capadócia abriga a cidade subterrânea de Derinkuyu, a mais profunda do país, com 60 metros em oito níveis de túneis escavados. Com temperaturas entre 10°C e 15°C, o espaço é um testemunho histórico, permitindo acesso a passagens estreitas. O custo de entrada varia entre 13 e 15 euros.
Um roteiro de cinco dias entre as cidades subterrâneas da França e Itália é uma ótima forma de explorar esses locais. A programação pode incluir a visita às Catacumbas de Paris no primeiro dia, seguido por um voo para Nápoles, onde as atividades subterrâneas se concentram, como a visita à Napoli Sotterranea e à Galleria Borbonica, culminando nas Catacumbas de San Gennaro. Essa experiência proporciona uma imersão na história e cultura europeia, longe do calor escaldante do verão.
