A China está se destacando na construção de usinas de energia renovável, com mais de 500 GW de projetos eólicos e solares em andamento, superando a soma do restante do mundo. No entanto, um novo relatório do Monitor Global de Energia (GEM) alerta que essa expansão pode não ser suficiente para reduzir a dependência do carvão no país.
De acordo com o estudo, a nação já conta com 1.362 GW de projetos em diferentes fases de desenvolvimento, sendo 664 GW de energia solar e 698 GW de energia eólica. Caso mantenha o ritmo atual, a China pode alcançar ainda neste ano sua meta estabelecida no Plano Quinquenal, onde a energia eólica e solar representariam mais da metade da capacidade instalada prevista para 2030.
A maior parte dessa expansão está concentrada em regiões desérticas no norte e noroeste da China, onde o governo está implementando megabases de energia renovável. Contudo, o relatório destaca que a infraestrutura de transmissão elétrica não está acompanhando esse crescimento, o que pode resultar em desperdício de geração renovável, um fenômeno conhecido como curtailment.
Em algumas províncias, como Xinjiang, Qinghai e Gansu, entre 10% e 17% da geração solar disponível não é utilizada devido a limitações da rede elétrica. Para a energia eólica, as perdas variam de 4% a 9%. Além disso, a expansão das linhas de transmissão continua atrelada ao carvão. Apesar de as megabases de renováveis exigirem a construção de 27 novas linhas de ultra-alta tensão, o próximo Plano Quinquenal prevê apenas dez.
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Atualmente, cerca de 20% da eletricidade transportada por essas linhas é proveniente de fontes eólicas e solares, enquanto o carvão ainda responde por 42%. Para lidar com esses desafios, a China começou a incentivar o consumo local da nova geração renovável, realocando polos industriais e investindo em sistemas de armazenamento, como baterias, além de direcionar o excedente para projetos de hidrogênio verde.
A China já destina mais de 10 GW de capacidade renovável para a produção de hidrogênio, quase oito vezes mais do que o restante do mundo. No entanto, a pesquisa do GEM indica que essa estratégia pode levar a um “lock-in do carvão”, perpetuando a dependência desse combustível fóssil.
Um exemplo disso é a empresa Baofeng Energy, que, em 2025, iniciou um projeto na Mongólia Interior que combina um parque eólico e solar de 1.000 MW com a produção de hidrogênio verde. Apesar de reduzir o consumo de carvão em 210 mil toneladas anuais, esse número representa apenas 2,2% do consumo total de carvão da instalação.
“O objetivo das megabases é claro: acelerar a descarbonização em todo o país. Mas o próximo Plano Quinquenal ainda oferece muito espaço para que a China fortaleça sua liderança climática. No fim, o sucesso dessas megabases não será medido pelos gigawatts instalados, mas pelo volume de carvão que conseguirem efetivamente substituir.” — Aiqun Yu, analista de pesquisa e estrategista sênior para o Leste Asiático do Global Energy Monitor.
