Pequim reconhece o Brasil como livre de febre aftosa e derruba barreiras históricas à importação de carne bovina. A decisão foi anunciada durante visita do chanceler Mauro Vieira à China.
Após mais de duas décadas de restrições, as autoridades chinesas revogaram as barreiras à importação de carne bovina do Brasil. A decisão foi anunciada na última sexta-feira, 29, pela Administração Geral de Aduanas e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China, coincidindo com a visita do chanceler brasileiro Mauro Vieira a Pequim.
O comunicado oficial destacou que, com base em uma análise de risco, a China reconhece todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. Assim, as restrições que antes eram aplicadas à região norte do Brasil foram eliminadas. Além disso, a decisão também permite a exportação de miúdos externos de suínos por estabelecimentos localizados fora de Santa Catarina, além de dispensar o Certificado Sanitário Internacional para couro wet blue de outros estados.
As negociações entre Brasil e China continuam, especialmente em relação a alguns protocolos que envolvem carne com osso e certos miúdos, que ainda estão em discussão. Apesar disso, as autoridades do setor agropecuário estão otimistas quanto à nova medida, que pode facilitar novas habilitações. As plantas frigoríficas que estão habilitadas para exportar à China, fora de Santa Catarina, já podem solicitar autorização para enviar produtos como orelha e máscara suína.
A decisão das autoridades chinesas foi tomada um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal declarar o Brasil livre de febre aftosa sem vacinação. Esse reconhecimento internacional teve um impacto gradual, com o Brasil realizando pedidos formais à China até a confirmação da última sexta-feira.
Em nota conjunta, os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores afirmaram que a decisão chinesa representa um fortalecimento da economia nacional. Ela amplia as oportunidades de exportação de carnes bovinas e suínas, além de miúdos, para o mercado chinês. Segundo o comunicado, as exportações do agronegócio brasileiro para a China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025.
Os ministérios também destacaram a relevância da visita de Mauro Vieira a Pequim, enfatizando que a decisão foi tomada em virtude desse encontro e após mais de 20 anos de negociações. Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em 2025, um memorando de entendimento foi assinado para fortalecer o diálogo sanitário, o que contribuiu para os avanços nas tratativas entre os dois países.

