Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia e critica guerra no Irã
Chefe do antiterrorismo dos EUA renuncia ao afirmar que o Irã não representava ameaça iminente aos Estados Unidos, contestando a ofensiva militar liderada pelo presidente Donald Trump em parceria com Israel, divulgada em 17 de março de 2026.
Renúncia expõe divergências internas sobre o conflito
Joseph Kent pediu demissão do comando do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (NCTC), órgão ligado ao Escritório Nacional de Inteligência (DNI). Em sua carta de desligamento, o veterano de guerra declarou que “não poderia, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã”, argumentando que o país persa “não era uma ameaça iminente” para Washington.
O ex-diretor alegou ainda que a decisão de atacar Teerã foi influenciada por “pressão de Israel e de seu poderoso lobby”. Segundo Kent, essa influência criou uma “câmara de eco” que convenceu a Casa Branca de uma necessidade militar inexistente, reproduzindo a mesma tática que, em sua visão, levou à ocupação do Iraque em 2003.
De veterano condecorado a voz dissidente
Com 20 anos de serviço e 11 destacamentos no Oriente Médio, Kent encerrou a carreira militar em 2018. Ele relembrou que Trump fora eleito criticando as guerras regionais e prometendo frear o envolvimento em conflitos distantes. “Apoiei os valores que ele defendia”, afirmou. Entretanto, o assessor disse ter visto o presidente “ceder a conselheiros israelenses e à mídia alinhada”, mudando completamente a política externa anunciada em campanha.
A vida pessoal de Kent também foi marcada pela violência da região. Sua esposa, a suboficial da Marinha Shannon Kent, morreu em um atentado na Síria. “Perdi minha amada em uma guerra fabricada por Israel. Não aceitarei enviar outra geração para morrer em mais um conflito que não beneficia o povo americano”, declarou.
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DNI contestou alegações nucleares antes da ofensiva
Em março de 2025, meses antes dos primeiros ataques, a diretora do DNI, Tulsi Gabbard, rejeitou publicamente a suspeita de que o Irã desenvolvia armas nucleares, argumento usado por Trump e pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu para justificar a campanha militar. Analistas independentes consultados pela Agência Brasil consideram que a acusação serviria como pretexto para derrubar o governo de Teerã e conter a influência chinesa na região.
Reportagem da Reuters ressalta que parte da base republicana também questiona o envolvimento dos EUA no conflito, lembrando que Trump ganhou apoio ao criticar antigas intervenções.
Desdobramentos e impacto político
A saída de Kent amplia a pressão interna sobre a política externa norte-americana. Parlamentares democratas e republicanos moderados passaram a exigir esclarecimentos sobre as justificativas legais para a ofensiva. Enquanto isso, grupos de veteranos organizam manifestações contra o envio de tropas adicionais ao Golfo Pérsico.
No cenário internacional, a renúncia do chefe do NCTC reacende o debate sobre a legitimidade dos ataques e fortalece apelos diplomáticos por um cessar-fogo imediato. Especialistas avaliam que a credibilidade das agências de inteligência fica abalada quando vozes de alto escalão contestam dados apresentados ao público e ao Congresso.
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Crédito da imagem: Reuters/Elizabeth Frantz
Fonte: Reuters
