Caso Henry: prints do celular da babá revelam agressões impulsionaram a virada na investigação sobre a morte de Henry Borel, de 4 anos, e foram decisivos para o júri que ocorre no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro desde 25 de maio de 2026.
Caso Henry: prints do celular da babá revelam agressões
Na sessão do segundo dia de julgamento, o delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pelo inquérito enquanto titular da 16ª Delegacia da Barra da Tijuca, afirmou que as reproduções de mensagens retiradas do aparelho da babá Thayná de Oliveira Ferreira desmontaram a versão de “acidente doméstico” sustentada por Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e por Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe da vítima.
Segundo o delegado, prints enviados por Thayná ao namorado e à própria Monique mostravam que Henry já sofria agressões dentro de casa. Em uma das conversas, a babá relata que o menino “saiu mancando” após ser trancado em um quarto com Jairinho, que era vereador em quinto mandato. Apesar dos pedidos para que a mãe retornasse ao apartamento, Monique demorou cerca de duas horas porque, segundo as mensagens, fazia as unhas em um salão de beleza.
O laudo cadavérico, reforçou Damasceno, apontou lesões no rim, pulmão, cabeça e fígado, além de extensas equimoses. Uma reconstituição no apartamento indicou que a queda da cama mencionada pelo casal não seria compatível com o padrão de ferimentos.
Uso de tecnologia e orientação para mentir
Para recuperar conteúdos apagados, a Polícia Civil utilizou o Cellebrite, software israelense que extrai dados de celulares. A perícia comprovou que Monique orientou a babá a deletar conversas e que demais pessoas próximas, como avó e empregada doméstica, teriam recebido instruções de um escritório de advocacia para repetir a versão do acidente.
Ainda de acordo com Damasceno, Jairinho pressionou o Hospital Barra D’Or a atestar o óbito sem encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal, manobra que, se bem-sucedida, impediria a coleta de provas essenciais. O delegado relatou que um executivo da rede recebeu ligações e mensagens com a ameaça: “Ou vocês agilizam ou eu agilizo”.
Acusações e manobras da defesa
O Ministério Público acusa Jairinho de homicídio qualificado, três episódios de tortura, fraude processual e coação no curso do processo. Monique responde por homicídio qualificado por omissão, entre outros crimes. Durante o julgamento, um dos advogados de Jairinho, Sérgio Figueiredo, renunciou em protesto após o Tribunal negar novo adiamento — o defensor principal está hospitalizado após sofrer infarto.
Enquanto o depoimento transcorria, Jairinho permaneceu sério, trocando poucas palavras com a defesa, e Monique mostrava abatimento, com a cabeça baixa. A expectativa é de que sete jurados deliberem até o fim da semana.
Para mais detalhes sobre o andamento do júri, o portal G1 Rio mantém cobertura em tempo real.
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Crédito da imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
