O senador Carlos Viana (Podemos-MG) anunciou nesta segunda-feira, 19, que denunciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposto estelionato eleitoral. O parlamentar questiona a antecipação dos pagamentos do Bolsa Família, concentrados entre os dias 19 e 21 de outubro, e suspeita de possível uso da estrutura do governo em benefício da disputa eleitoral.
Em publicação nas redes sociais, Viana pontuou que o calendário original previa a distribuição dos recursos até o dia 30 deste mês. Para o senador, a alteração nas datas exige esclarecimentos, sobretudo pela proximidade da disputa.
“Ninguém é contra o Bolsa Família. O que não pode é a máquina pública virar comitê de campanha”, declarou.
Segundo o senador, as informações sobre o caso já foram encaminhadas à Justiça Eleitoral. A denúncia formalizada por Viana se apoia na tese de que a mudança no calendário e outras ações do governo podem configurar impulso eleitoral dirigido a favor do presidente.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social justificou a alteração do calendário pela necessidade de proteger famílias vulneráveis diante de eventos climáticos extremos. Segundo a pasta, foram identificadas 518 situações de emergência e calamidade pública entre agosto e setembro de 2026, o que teria motivado o adiantamento dos pagamentos.
Viana contestou a justificativa apresentada pelo ministério e questionou a coincidência entre a antecipação dos repasses e o período eleitoral.
“O El Niño chega justo na semana da eleição?”
Além de criticar o novo calendário, o senador mencionou outros episódios que, em sua avaliação, devem ser analisados no contexto da campanha, incluindo a exibição de um boné com o nome de Lula na TV Senado e a promessa de passe livre no transporte público.
O cronograma divulgado prevê pagamentos em 19 de outubro para beneficiários com Número de Identificação Social terminado em 1; em 20 de outubro, para aqueles com final 2; e em 21 de outubro, para os demais grupos. O benefício tem valor mínimo de R$ 691 neste mês, conforme anúncio feito pelo governo em setembro.
Com a denúncia, o caso seguirá agora por tramitações previstas na esfera eleitoral, onde serão avaliadas as alegações sobre eventual uso indevido da máquina pública em período pré-eleitoral.
