Cardiopatia congênita: diagnóstico precoce melhora qualidade de vida Cardiopatia congênita afeta cerca de 30 mil recém-nascidos brasileiros todos os anos e, quando identificada com rapidez, eleva significativamente as chances de sobrevivência e de bem-estar ao longo da vida, segundo o Instituto Nacional de Cardiologia (INC).
Cardiopatia congênita: diagnóstico precoce melhora qualidade de vida
Dados do Ministério da Saúde indicam que 1% dos bebês nascidos vivos no mundo apresenta alguma malformação cardíaca, e 30% desse grupo necessita de intervenção ainda na primeira infância. A coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do INC, Renata Mattos, avalia que o acesso ao diagnóstico vem crescendo, embora haja desigualdades regionais. “Na Região Sudeste há maior oferta de exames do que no Norte, mas, de forma geral, o atendimento avançou”, afirma a especialista em hemodinâmica de cardiopatias congênitas.
O termo cardiopatia congênita abrange diversas anomalias estruturais formadas durante a gestação. Quando a alteração é detectada no ecocardiograma fetal — recomendado entre a 24ª e a 28ª semana — a equipe médica consegue planejar parto e pós-natal. Em casos críticos, o nascimento deve ocorrer em hospital com UTI neonatal para permitir cirurgia ou cateterismo imediato; já malformações leves podem ser acompanhadas sem interferir no plano de parto.
Se o problema não for percebido antes ou logo após o nascimento, familiares e pediatras precisam observar sinais como dificuldade para ganhar peso, cansaço ao mamar, respiração acelerada ou lábios arroxeados. Em crianças maiores, dor torácica e palpitação podem indicar arritmias associadas. Qualquer suspeita exige avaliação cardiológica.
O tratamento varia de uma única intervenção até séries de cirurgias ao longo da vida. “Com diagnóstico preciso, a possibilidade de uma vida normal é enorme”, diz Mattos. Ela destaca que, além do acompanhamento da cardiopatia, os pacientes devem monitorar fatores típicos da idade adulta, como hipertensão e colesterol alto, pois a prática esportiva é estimulada sempre que possível.
Histórias como a de Nathan Senna Alves, de 30 anos, ilustram o impacto do cuidado contínuo. Diagnosticado ao nascer, ele passou por três cirurgias — aos 2, 6 e 18 anos — realizadas com apoio da instituição Pró Criança Cardíaca. Hoje, casado e pai de um menino, faz acompanhamento ambulatorial e leva rotina ativa. A ONG criada pela cardiologista pediátrica Rosa Célia já assistiu mais de 16 mil crianças em três décadas de atuação.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento é integral: o ecocardiograma fetal faz parte da linha de cuidado, o Teste do Coraçãozinho é obrigatório entre 24 e 48 horas de vida e, em caso de confirmação, o paciente é encaminhado para centros de referência onde procedimentos de alta complexidade são custeados integralmente.
O Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, celebrado em 12 de junho, reforça a necessidade de diagnóstico precoce, assistência especializada e informação qualificada para reduzir a mortalidade infantil por malformações cardíacas.
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Crédito da imagem: visoot/Adobe Stock
Fonte: Agência Brasil
