Cão Orelha: MP de SC descarta morte por agressão de adolescentes Após avaliar quase 2 mil arquivos digitais, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluiu que a morte do cão comunitário Orelha decorreu de uma enfermidade grave já existente, e não de violência praticada por jovens apontados como suspeitos.
Cão Orelha: MP de SC descarta morte por agressão de adolescentes
Em manifestação de 170 páginas protocolada na Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital em 8 de maio, o MPSC solicitou o arquivamento do procedimento que investigava maus-tratos supostamente cometidos na Praia Brava, em Florianópolis, em janeiro deste ano. O órgão informou ter revisado vídeos, mensagens de celular, laudos periciais e depoimentos para reformular a versão inicial divulgada pela Polícia Civil.
Segundo a promotoria, os registros de câmeras de segurança apresentavam discrepância de aproximadamente 30 minutos entre diferentes sistemas, o que alterou a cronologia dos fatos. A análise indica que, no período em que um dos adolescentes estava na orla, o cachorro encontrava-se a cerca de 600 metros do local. Não há qualquer imagem que mostre o animal na praia no horário indicado como momento da agressão.
Os peritos ainda observaram que Orelha mantinha locomoção normal quase uma hora depois do suposto ataque, afastando a hipótese de retorno debilitado. Laudos de exumação confirmaram ausência de fraturas ou lesões compatíveis com ação humana e identificaram osteomielite crônica na região maxilar esquerda, ligada a periodontite avançada. Imagens do crânio revelaram ferida antiga com inflamação prolongada, consistente com o edema relatado pelo veterinário que atendeu o cão antes da eutanásia.
Com base nessas constatações, o MPSC arquivou também o inquérito sobre eventual coação de testemunhas e encaminhou cópia dos autos à Corregedoria da Polícia Civil para apurar possíveis falhas na investigação. O órgão pediu, ainda, que a 9ª Promotoria de Justiça avalie eventual infração administrativa pela divulgação de informações sigilosas envolvendo adolescente.
A Polícia Civil declarou ter concluído o inquérito e remetido os autos ao Ministério Público, ressaltando a independência de atuação entre as instituições. Detalhes sobre a revisão do caso podem ser consultados no site oficial do Ministério Público de Santa Catarina, considerado referência nacional em transparência de processos.
O arquivamento encerra a investigação criminal, mas abre espaço para análises internas sobre a condução das apurações iniciais. A decisão também reacende o debate sobre cuidados veterinários a animais comunitários e a checagem rigorosa de provas audiovisuais em procedimentos que envolvem menores de idade.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
