Brics encerra reunião na Índia sem consenso para declaração O bloco de economias emergentes concluiu, em 15 de maio, dois dias de negociações em Nova Delhi sem conseguir aprovar um texto único, resultado de divergências entre os 11 países-membros, sobretudo entre Irã e Emirados Árabes Unidos.
Divergências internas travam documento final
Logo após o encontro, o Itamaraty indiano, que exerce a presidência rotativa do Brics em 2026, divulgou apenas uma “nota da presidência”. O texto admite “opiniões divergentes” sobre a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e sobre a crise em Gaza, o que impediu a tradicional declaração conjunta.
Irã pressiona por condenação e aponta veto dos Emirados
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarou que um “país-membro” vetou trechos que pediam a condenação explícita das ações militares contra seu território. Sem citar diretamente Abu Dhabi, ele afirmou que Teerã atacou apenas instalações militares norte-americanas localizadas nos Emirados desde 28 de fevereiro. “Espero que, na cúpula de líderes, compreendam que o Irã é vizinho e continuará a sê-lo”, disse Araqchi.
O governo dos Emirados Árabes Unidos não reagiu publicamente até o momento.
Principais pontos da nota da presidência
Apesar de incompleta, a nota reafirma:
- Importância do diálogo, respeito à soberania e defesa do direito internacional;
- Necessidade de garantir navegação segura e proteção de civis em zonas de conflito;
- Reconhecimento de Gaza como parte inseparável dos Territórios Palestinos Ocupados e apoio à unificação de Cisjordânia e Faixa de Gaza sob a Autoridade Palestina;
- Apelo para que o Sul Global permaneça unido diante de tensões geopolíticas, pressões econômicas e desafios tecnológicos.
De acordo com levantamento da Reuters, a falta de consenso marca a primeira vez que o bloco termina uma reunião ministerial sem documento oficial desde sua expansão em 2024.
Composição atual do Brics
O Brics soma 11 países-membros (África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia) e 10 países-parceiros sem direito a voto. O formato “parceiro” foi criado na Cúpula de Kazan, em outubro de 2024, para ampliar a voz do Sul Global sem alterar a governança interna.
Próximos passos
Os chanceleres voltam a se reunir na cúpula de líderes programada para o segundo semestre. Até lá, diplomatas tentarão harmonizar posições sobre Oriente Médio e Ásia Ocidental para evitar novo impasse.
O desenrolar dessas negociações seguirá no radar da editoria Internacional. Acompanhe outras análises em nossa seção de notícias globais e fique por dentro dos próximos capítulos.
Crédito da imagem: Brics/Divulgação
Fonte: Agência Brasil
