Brasil e Índia fecham parceria para produzir medicamentos contra câncer
Brasil e Índia fecham parceria para produzir medicamentos contra câncer em acordo firmado na quarta-feira (21 de fevereiro de 2026) que garantirá a oferta de pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Investimento de R$ 722 milhões no primeiro ano
De acordo com nota do Ministério da Saúde, as três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo contemplam terapias para tumores de mama, pele e diferentes tipos de leucemias. A previsão oficial indica desembolso inicial de R$ 722 milhões e possibilidade de chegar a R$ 10 bilhões em dez anos, valor que cobre tanto a fabricação quanto a distribuição contínua dos medicamentos.
Transferência de tecnologia fortalece indústria nacional
Além do fornecimento, a iniciativa prevê a internalização da produção. Laboratórios públicos e privados brasileiros receberão tecnologia indiana para reduzir a dependência de importações, estabilizar estoques estratégicos e ampliar o acesso da população a terapias de alta complexidade.
Indústria farmacêutica é destaque no comércio bilateral
Produtos farmacêuticos figuram entre os principais itens importados da Índia pelo Brasil, ao lado de diesel, inseticidas, fungicidas e autopeças. Somente em 2024, as compras brasileiras de fármacos somaram US$ 7,3 bilhões, segundo dados da empresa Fazcomex. O volume reforça a relevância do país asiático, que aparece depois da China na lista de maiores parceiros comerciais do Brasil na Ásia, à frente de Japão, Coreia do Sul, Vietnã e Indonésia.
Novos memorandos ampliam cooperação sanitária
O pacote de atos inclui a prorrogação, por mais cinco anos, do memorando de entendimento que sustenta a cooperação bilateral em áreas como vacinas, biofabricação, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Central Drugs Standard Control Organization, órgão regulador indiano, também firmaram acordo para troca de informações sobre medicamentos, insumos e dispositivos médicos.
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Paralelamente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou três memorandos com laboratórios indianos dedicados à pesquisa, desenvolvimento e produção de fármacos classificados como estratégicos pelo Ministério da Saúde.
Papel estratégico para soberania sanitária
Em discurso no Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Delhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que os dois países atuam “lado a lado, há décadas”, na defesa do acesso equitativo a medicamentos, especialmente genéricos, no âmbito da Organização Mundial da Saúde. Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a transferência de tecnologia “gera emprego, renda e amplia a autonomia do Brasil”.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Ricardo Stuckert/PR
