O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgou dados que mostram a criação de 85.888 postos de trabalho com carteira assinada em abril de 2026. Esse número é resultado da diferença entre contratações e demissões no período.
Apesar do saldo positivo, o crescimento de empregos ficou 62,3% abaixo do registrado em março, que contabilizou a abertura de 227.974 novas vagas. Além disso, houve uma queda de 63,9% em relação a abril do ano passado, quando foram criados 238.216 postos de trabalho, um cenário que reflete a pressão dos juros altos e a desaceleração econômica.
Em comparação com os meses de abril desde 2020, este ano registrou o segundo pior resultado da série histórica, superando apenas o mês de abril de 2020, que viu o fechamento de 981.342 postos durante o início da pandemia de covid-19. Vale destacar que a nova metodologia adotada impede a comparação com dados anteriores a 2020.
No acumulado de janeiro a abril de 2026, o Caged apontou uma queda de 23,4% no número de vagas formais, com 699.762 postos abertos nos quatro primeiros meses do ano, em contraste com 913.827 no mesmo período de 2025.
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Ao analisar os setores de atividade, três dos cinco segmentos pesquisados apresentaram crescimento no número de empregos formais em abril. O setor de serviços foi o que mais se destacou, com a criação de 69.601 postos. A construção civil seguiu com 23.525 novas vagas, enquanto a indústria gerou 9.256 postos. Entretanto, o setor agropecuário teve uma perda de 8.378 postos, e o comércio registrou uma queda de 8.114 postos. A tradição do mês de abril ser fraco para o comércio é bem conhecida, e as demissões no setor agrícola estão ligadas ao fim da safra de soja e à desmobilização dos cultivos de maçã e laranja.
Dentro do setor de serviços, o segmento de saúde humana e serviços sociais foi o grande responsável pela criação de empregos, com 18.150 novas vagas. A categoria de transporte, armazenagem e correio também teve um bom desempenho, com a abertura de 12.235 vagas. Na construção civil, o segmento de serviços especializados foi o que mais contribuiu, com 8.745 novos postos, seguido pela construção de edifícios, que gerou 7.397 empregos. Na indústria, a fabricação de álcool foi o maior gerador, com 4.522 novas vagas, seguida pela produção de carne e de automóveis.
Todas as cinco regiões do Brasil registraram abertura de vagas formais em abril. O Sudeste se destacou com 44.545 postos, seguido pelo Nordeste com 18.714, Centro-Oeste com 10.890, Norte com 6.651 e Sul com 4.449. No que diz respeito aos estados, 24 apresentaram saldo positivo, enquanto três demitiram mais do que contrataram. São Paulo liderou a criação de empregos com 20.202 novas vagas, seguido pelo Rio de Janeiro com 11.741 e Minas Gerais com 8.991. Os estados que eliminaram empregos foram Alagoas, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.
Com a criação de novos postos formais, o número total de trabalhadores com carteira assinada encerrou abril em 47.810.425, representando um crescimento de 0,18% em relação a março e de 2,26% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
