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Política

Baptista rebate Flávio e diz que acusação foi tentativa de desviar sabatina

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 29/08/2026
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Baptista rebate Flávio e diz que acusação foi tentativa de desviar sabatina
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O tenente‑brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex‑comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), reagiu neste sábado, 29, à declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, de que ele estaria pedindo votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação no X, Baptista qualificou a afirmação como uma “leviandade” e afirmou que a acusação serviu para desviar a atenção de uma pergunta feita durante a sabatina na Globo no dia 28.

Segundo o texto publicado por Baptista, a menção ao suposto pedido de votos foi usada como forma de fuga diante da questão colocada ao candidato. A reação do ex‑comandante aparece no mesmo período em que se retomou o debate sobre os depoimentos de ex‑comandantes das Forças Armadas sobre a tentativa de ruptura institucional no fim do governo Jair Bolsonaro.

“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê‑la – algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”

O senador Flávio Bolsonaro havia sido questionado sobre os relatos prestados por militares, entre eles Baptista Junior, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos depoimentos, ex‑comandantes detalharam pressões sofridas e medidas discutidas nos últimos meses do governo anterior, diante da tentativa de impedir a posse do presidente eleito em 2022.

Baptista sugeriu ainda que o senador aguardasse o lançamento de seu livro antes de fazer novas afirmações sobre sua atuação naquele período. A obra, intitulada “Eu Disse Não! Uma trincheira antigolpista”, é publicada pela Autêntica Editora e chega às livrarias em setembro.

“Talvez seja prudente aguardar, ler o livro e refletir, antes de outra entrevista”

Na mesma publicação, o ex‑comandante fez uma referência ao coordenador‑geral da campanha de Flávio Bolsonaro, usando expressão que critica a postura agressiva adotada por aliados do candidato.

“Sugiro não incorporar o espírito do nosso querido Zagallo, exigindo agressivamente que ‘a tal direita consentida vai ter que nos engolir’”

O que Baptista relatou ao STF: Baptista Junior comandava a Aeronáutica no fim do governo Bolsonaro e disse ter resistido às pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional após a derrota do então presidente nas eleições de 2022. Em depoimento ao Supremo, ele descreveu reuniões nos últimos meses do governo em que teriam sido discutidas medidas de exceção e uma minuta com propostas para impedir a posse do presidente eleito.

Segundo o relato, Baptista recusou‑se a receber uma cópia do documento. Também afirmou que o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, advertiu que o ex‑presidente poderia ser preso caso insistisse numa tentativa de golpe, e que o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, teria colocado tropas à disposição do plano.

Os relatos dos militares foram incluídos na Ação Penal 2668, no STF, que julgou integrantes do núcleo central da tentativa de ruptura institucional. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão; o julgamento foi concluído em setembro de 2025.

Trajetória: Baptista ingressou na FAB em 1975, acumulou mais de 4,5 mil horas de voo como piloto de caça e comandou a Aeronáutica de abril de 2021 até janeiro de 2023. O livro do ex‑comandante narra em primeira pessoa os bastidores da crise e as pressões enfrentadas pelos militares naquele período.

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