Abelardo de la Espriella derrotou o senador Iván Cepeda por apenas 248 mil votos. Resultado ainda aguarda confirmação oficial no escrutínio final.
O advogado e empresário Abelardo de la Espriella venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia, realizado no último domingo, dia 21 de junho. A apuração preliminar divulgada pelas autoridades eleitorais apontou que, com 99,91% das mesas apuradas, o candidato conservador obteve 12.950.482 votos, superando o rival, o senador Iván Cepeda, que recebeu 12.702.224 votos.
A diferença entre os dois candidatos foi de 248.258 votos, o que representa 0,95 ponto percentual. Embora o resultado já tenha sido divulgado, ele ainda depende da confirmação oficial, que ocorrerá na etapa de escrutínio, onde as autoridades revisarão as atas eleitorais e analisarão possíveis inconsistências.
A contagem oficial inicia nesta segunda-feira, 22 de junho. O sistema eleitoral colombiano divide a apuração em duas fases: o “preconteo”, que é uma contagem inicial baseada nos dados enviados dos locais de votação, e o “escrutínio”, que valida o resultado definitivo.
Caso a vitória de De la Espriella seja confirmada, ele assumirá a presidência em 7 de agosto, encerrando assim um ciclo de quatro anos de governo da esquerda no país.
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A disputa eleitoral colocou dois projetos políticos em lados opostos. De um lado, De la Espriella, que se identifica com o campo conservador e critica a gestão do atual presidente, Gustavo Petro. Do outro, Cepeda, senador de esquerda, que buscou manter a coalizão ligada ao governo atual.
Durante a campanha, os temas de segurança e economia dominaram os debates. A atmosfera nas ruas refletiu a tensão da disputa, com bancos utilizando tapumes de proteção e vitrines recebendo reforços. Grupos ligados aos dois candidatos acompanharam a votação em diferentes pontos da Colômbia.
A polarização aumentou nas últimas semanas, com símbolos nacionais entrando no debate político. De la Espriella incentivou seus apoiadores a usarem a camisa da seleção colombiana durante a votação no primeiro turno, realizado em 31 de maio. O grupo de Cepeda também associou o símbolo nacional às suas manifestações políticas.
A disputa se configurou como um julgamento sobre a gestão de Gustavo Petro, que chegou ao poder como o primeiro presidente de esquerda do país, prometendo ampliar políticas sociais e buscar acordos com grupos armados. No entanto, sua administração enfrentou dificuldades no Congresso e críticas sobre segurança pública e desempenho econômico.
De la Espriella, que não possui experiência em cargos eletivos, ganhou notoriedade com propostas de endurecimento contra organizações criminosas, ampliação da exploração de petróleo e gás, e revisão das negociações realizadas pelo governo com grupos armados. Ele defendeu uma maior participação das Forças Armadas no combate ao crime, a construção de megapenitenciárias, a redução de impostos para empresas e a diminuição da estrutura estatal.
O presidente Petro já declarou que pretende contestar o resultado da eleição, alegando a existência de “muitas irregularidades” e que algumas mesas devem ser impugnadas. Ele afirmou que seguirá as decisões dos juízes responsáveis pela análise do processo. O Conselho Nacional Eleitoral informou que a votação ocorreu sem grandes incidentes e contou com a presença de observadores internacionais, incluindo representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia.

