Banco Master é o foco de inquérito no Supremo Tribunal Federal que, na última terça-feira (30 de dezembro), ouviu o banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, em depoimentos prestados à Polícia Federal (PF) sobre suspeita de fraude bilionária.
Depoimentos no STF investigam fraude estimada em R$ 17 bilhões
Os três depoimentos foram colhidos a partir das 14h, no prédio do STF, em Brasília. A oitiva individual foi determinada pelo ministro Dias Toffoli no âmbito do inquérito que apura irregularidades na tentativa de venda do Banco Master ao BRB. O magistrado chegou a cogitar uma acareação, mas decidiu que essa etapa só ocorrerá caso a PF julgue necessária.
Vorcaro e Costa já haviam sido alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos que podem ter gerado prejuízos de até R$ 17 bilhões. Embora não seja investigado, o diretor do BC teve o depoimento classificado por Toffoli como “especialmente relevante”, já que a autarquia é responsável por fiscalizar a integridade das operações financeiras.
BRB tentou comprar o Banco Master por R$ 2 bilhões
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de adquirir o Banco Master por R$ 2 bilhões, valor equivalente a 75% do patrimônio consolidado da instituição de Vorcaro, segundo comunicado do próprio banco distrital. A proposta levantou questionamentos de analistas e provocou repercussão no mercado e no meio político, uma vez que o Master já enfrentava desconfianças acerca de sua saúde financeira.
No início de setembro, o Banco Central vetou a compra. Dois meses depois, a autoridade monetária decretou a falência extrajudicial do Banco Master, apontado como o principal alvo da investigação conduzida pela PF a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Operação Compliance Zero detalha esquema de créditos fictícios
De acordo com a PF, bancos e financeiras envolvidos no esquema simulavam empréstimos e outros títulos a receber, vendendo essas carteiras fraudulentas a terceiros. Após registro contábil aprovado pelo BC, os créditos eram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. O objetivo, segundo as investigações, seria inflar o balanço e atrair investidores ou compradores — como no caso do BRB.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comenta o teor do depoimento devido ao sigilo processual. Já os representantes de Paulo Henrique Costa afirmaram que só se pronunciarão após a oitiva. O Banco Central também não emitiu nota sobre o depoimento de seu diretor.
As investigações seguem em curso, e novos desdobramentos podem incluir a acareação entre os depoentes caso a PF considere necessário para confrontar versões.
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Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
