Auditoria interna identificou a reserva de Gustavo Petro para voo Bogotá–Cidade do México (ida 30/8; volta 2/9) e a Avianca cancelou o bilhete por cumprimento de sanções. Reembolsou Petro; acompanhantes mantiveram reservas.
A companhia aérea Avianca cancelou as passagens que o ex-presidente da Colômbia Gustavo Petro havia comprado para viajar de Bogotá à Cidade do México no dia 30 de agosto, com retorno previsto para 2 de setembro. As reservas foram identificadas em uma auditoria interna durante uma verificação de rotina, segundo informou a empresa.
Petro havia feito as reservas acompanhado de dois acompanhantes; os bilhetes desses acompanhantes não foram cancelados. A Avianca comunicou que reembolsou integralmente o valor dos bilhetes do ex-presidente.
A empresa justificou o cancelamento como cumprimento de sanções econômicas impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A companhia explicou que não pode transportar pessoas incluídas na lista de bloqueio porque opera voos em solo norte-americano, processa transações em dólares e utiliza tecnologias e ativos originários dos EUA.
“discriminação política”
O ex-presidente contestou a decisão e acusou a Avianca de promover “discriminação política”. Petro argumentou que as regras da OFAC não obrigam a empresa a impedi-lo de viajar, alegando que a companhia não seria uma pessoa jurídica dos Estados Unidos. Segundo o ex-presidente, a Avianca estaria vinculada a um grupo sediado no Reino Unido, e, por isso, a aplicação das sanções norte-americanas deveria ser debatida também no Parlamento britânico.
Em nota, a Avianca afirmou ter tratado o caso de forma privada e que só divulgou os fatos após declarações públicas do próprio ex-presidente. A empresa ressaltou que o cumprimento das normas da OFAC é necessário para evitar sanções e multas que podem recair sobre companhias que operam ou utilizam sistemas financeiros, tecnologias ou ativos sujeitos à jurisdição dos EUA.
A inclusão de pessoas na lista da OFAC foi anunciada anteriormente: em 24 de outubro de 2025, o governo dos Estados Unidos incluiu Gustavo Petro na lista de sanções. A medida atingiu também a mulher dele, Verónica Alcocer, o filho mais velho, Nicolás Petro, e o então ministro do Interior, Armando Benedetti. A inclusão na lista isola o indivíduo do sistema financeiro global, congelando contas bancárias, bens e propriedades sob jurisdição dos EUA, e proibindo empresas e cidadãos norte-americanos de realizar negócios ou prestar serviços com as pessoas bloqueadas.
O descumprimento das regras da OFAC pode resultar em multas e outras penalidades para empresas sujeitas à jurisdição dos Estados Unidos. Companhias estrangeiras também podem ficar expostas às normas norte-americanas em operações que envolvam participação de pessoas ou empresas dos EUA ou uso do sistema financeiro norte-americano.
Esta matéria foi publicada em 07/09/2026.
