Autismo no Brasil: estudo revela baixo acesso a diagnóstico Autismo no Brasil ainda enfrenta barreiras significativas: somente 20,4% dos participantes tiveram o transtorno confirmado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o Mapa Autismo Brasil, levantamento sociodemográfico nacional divulgado em 9 de abril de 2026 pelo Instituto Autismos.
Autismo no Brasil: estudo revela baixo acesso a diagnóstico
O Mapa Autismo Brasil (MAB) reuniu 23.632 entrevistas on-line colhidas entre 29 de março e 20 de julho de 2025. Ao todo, foram ouvidos 16.807 responsáveis por pessoas autistas, 4.604 adultos autistas e 2.221 respondentes que se identificam nas duas condições. O objetivo foi traçar o perfil da população autista e mapear o acesso a serviços de saúde.
Apesar de aproximadamente um quarto dos brasileiros possuir plano de saúde, o diagnóstico gratuito permanece restrito: pouco mais de um quinto confirmou o transtorno pelo SUS, enquanto 55,2% buscaram a rede particular e 23% recorreram ao convênio. A mediana de idade no diagnóstico é de 4 anos, porém a média chega a 11, evidenciando atrasos significativos.
No campo terapêutico, o cenário é igualmente desigual. Apenas 15,5% disseram realizar terapias pelo SUS, ao passo que 63,8% dependem de planos ou pagamentos particulares. A maior parte dos entrevistados (56,5%) limita-se a no máximo duas horas semanais de intervenção, contrariando recomendações internacionais de carga intensiva e multidisciplinar.
Entre os tratamentos mais citados estão psicoterapia (52,2%), terapia ocupacional (39,4%) e fonoaudiologia (38,9%). Modalidades como ABA, musicoterapia e psicomotricidade têm cobertura ainda menor na rede pública, revelando um abismo de oferta entre os setores público e privado.
O recorte sociodemográfico mostra que 60,8% das pessoas autistas se autodeclaram brancas, 65,3% são homens e 72,1% têm até 17 anos. Quanto à renda familiar, 28,6% sobrevivem com até R$ 2.862, enquanto 20,3% ultrapassam R$ 9.540. Em suporte, 53,7% estão no nível 1 (menor necessidade) e 12,6% no nível 3 (maior necessidade).
A pesquisa também evidenciou impacto econômico sobre cuidadores: 30,47% relatam estar sem renda ou desempregados, resultado da dedicação ao cuidado diário. Somente 16,6% acessam o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mostrando lacunas na proteção social.
Para o Instituto Autismos, os números reforçam a urgência de ampliar serviços especializados, capacitar profissionais e garantir financiamento público adequado. O órgão cita que diretrizes do Ministério da Saúde já preveem atendimento multiprofissional, mas a implementação segue desigual entre as regiões.
Os autores concluem que, sem diagnóstico precoce e terapias suficientes, limita-se o potencial de desenvolvimento de milhões de brasileiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de ampliar desigualdades regionais e econômicas.
Quer saber mais sobre saúde e inclusão? Acompanhe nossa editoria de Saúde e fique por dentro de novos estudos, serviços e políticas públicas.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
