Atlântico Sul: países defendem zona livre de guerra e armas nucleares — Representantes de nações africanas e sul-americanas concluíram, em 9 de abril, a IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), no Rio de Janeiro, com uma declaração que reforça o compromisso de manter o Atlântico Sul afastado de conflitos, rivalidades de grandes potências e qualquer presença de armas nucleares ou de destruição em massa.
Atlântico Sul: países defendem zona livre de guerra e armas nucleares
O documento aprovado pelos chanceleres sublinha que a região situada entre a África e a América do Sul “deve permanecer livre do flagelo da guerra”, reafirmando a vocação pacífica do bloco criado pelas Nações Unidas em 1986. O texto também solicita a retomada das negociações entre Argentina e Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas, com vistas a uma solução pacífica, justa e duradoura.
Ao abordar o legado da rota transatlântica do tráfico de pessoas escravizadas, os países da Zopacas conclamaram o fortalecimento de políticas de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial. A declaração faz referência à resolução 80/250 da ONU, aprovada em março, que classifica o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. A Argentina, entretanto, anexou ressalva em que se distancia de “certas iniciativas e documentos” ligados ao tema.
A pauta ambiental ganhou destaque. O grupo celebrou a realização da COP30 em Belém no ano anterior e saudou a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, exortando investidores a capitalizar o mecanismo. Os ministros também elogiaram avanços da agenda oceânica, como o Plano para Acelerar Soluções Climáticas Baseadas nos Oceanos e a formação da Força-Tarefa Blue NDC.
Outro ponto comemorado foi a entrada em vigor, no início de 2026, do Tratado da ONU sobre a Alta Mar, que regula a biodiversidade em áreas além das jurisdições nacionais. Segundo a Zopacas, o acordo fortalecerá a proteção ambiental no Atlântico Sul. Informações detalhadas sobre o tratado estão disponíveis no portal oficial das Nações Unidas.
Durante o encontro, o Brasil lançou a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul, já assinada por Cabo Verde, Guiné Equatorial, República do Congo e São Tomé e Príncipe. O instrumento contempla 39 artigos que tratam, entre outros temas, da prevenção à poluição, da proteção de ecossistemas frágeis, de planos de emergência para acidentes e da proibição de despejo de substâncias tóxicas.
Em complemento, foi divulgado um plano estratégico não vinculante que organiza três eixos prioritários de cooperação: governança oceânica; defesa e segurança marítimas; e meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Os países foram incentivados a buscar financiamento junto a organismos internacionais, parceiros regionais e fontes voluntárias para executar as ações pactuadas.
Com a nova declaração, a Zopacas reforça a intenção de manter o Atlântico Sul livre de armas nucleares e consolida diretrizes para ampliar a cooperação ambiental e marítima.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
