Ataque dos EUA à Venezuela mobiliza venezuelanos no exterior O recente ataque militar norte-americano que capturou o presidente Nicolás Maduro despertou manifestações de apoio e repúdio em várias capitais, revelando a divisão da diáspora venezuelana espalhada pelo mundo.
Reações da diáspora variam de festa a indignação
Em Bogotá, Lima, Quito e Madrid, grupos de venezuelanos celebraram a operação conduzida pelos Estados Unidos, segundo a agência Reuters. Já na Cidade do México, a tensão aumentou diante da embaixada norte-americana, onde manifestantes contra o intervencionismo se contrapuseram a apoiadores da captura de Maduro, exigindo a intervenção da polícia local para conter conflitos.
Buenos Aires também registrou eventos antagônicos: movimentos sociais protestaram frente à embaixada dos EUA, enquanto outro grupo ocupou o Obelisco para agradecer o “fim do chavismo”. Em solo norte-americano, atos em São Francisco e Nova York reuniram críticas à ofensiva, mas não impediram venezuelanos residentes de comemorar o afastamento de Maduro.
Controle temporário e novo impasse político
Washington anunciou que pretende administrar a Venezuela “até que se possa realizar uma transição segura”, além de transferir a gestão do maior parque petrolífero do mundo a empresas dos EUA. Enquanto isso, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente a chefia de Estado.
O presidente norte-americano Donald Trump declarou que “chegou a hora de reconstruir a Venezuela” e acusou Maduro de participar do tráfico internacional de drogas, motivo oficial para levá-lo a julgamento nos Estados Unidos.
Êxodo de 8 milhões intensifica debate
Desde 2014, cerca de 20% da população venezuelana — aproximadamente 8 milhões de pessoas — deixou o país. A Colômbia abriga 2,8 milhões de venezuelanos, enquanto o Peru acolhe 1,7 milhão, de acordo com a plataforma R4V, iniciativa coordenada pela agência de migração da ONU.
Na Espanha, onde vivem 400 mil venezuelanos, o engenheiro Andrés Losada afirmou que se sente “entre a preocupação e a alegria”. Já em Quito, Maria Fernanda Monsilva destacou a esperança de ver o oposicionista Edmundo González assumir a presidência nas eleições de 2024, para que “muitos de nós possamos voltar”.
Protestos em Caracas denunciam intervenção
Na capital venezuelana, manifestantes como José Hernandez qualificaram a ação dos EUA como “criminosa”, acusando Washington de “roubar recursos de países com energia e minérios”. O ato reforçou o apelo por soberania diante do iminente controle estrangeiro sobre o setor petrolífero.
O cenário indica que a crise política venezuelana permanece longe de uma solução consensual, enquanto o futuro da gestão do país e o papel da comunidade internacional seguem indefinidos.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
