Trump e Lula discutem tarifas e sanções em telefonema de 40 minutos Trump e Lula mantiveram diálogo de 40 minutos em 2 de dezembro de 2025, concentrado na retirada de sobretaxas sobre produtos brasileiros, nas sanções ligadas ao processo contra Jair Bolsonaro e em novas frentes de cooperação bilateral.
Sanções e tarifas no centro da pauta
De acordo com o presidente dos Estados Unidos, os dois líderes trataram “extensivamente” das sanções impostas por Washington ao Judiciário brasileiro, adotadas após a condenação do ex-presidente Bolsonaro. Trump lembrou que parte dessas medidas já foi revista, mas admitiu que ainda existe espaço para ajustes.
Pelo lado brasileiro, Lula reforçou o desejo de acelerar a remoção da sobretaxa de 40% que permanece sobre 22% das exportações nacionais. O Palácio do Planalto classificou a conversa como “muito produtiva” e afirmou que a Casa Branca se mostrou receptiva a avançar nas negociações.
Alívio parcial já anunciado
No mês anterior, a administração norte-americana havia retirado 238 itens da lista do chamado tarifaço, incluindo café, cacau, frutas tropicais e carne bovina. Mesmo assim, setores industriais de maior valor agregado seguem impactados. Lula destacou que esse grupo será prioridade nas próximas rodadas de diálogo.
O serviço internacional da Reuters ressaltou que o governo brasileiro pretende concentrar esforço nos segmentos que enfrentam dificuldades para redirecionar vendas a outros mercados.
Cooperação contra o crime organizado
Além de comércio, Trump e Lula abordaram estratégias de combate ao crime transnacional. Segundo a nota oficial, equipes técnicas dos dois países deverão se reunir para integrar ações de inteligência voltadas a facções que atuam em ambos os territórios.
Contexto do tarifaço
As sobretaxas sobre bens brasileiros foram introduzidas em abril de 2025, dentro da política de “reindustrialização” lançada por Trump para compensar a perda de competitividade frente à China. O percentual de 10% aplicado inicialmente se elevou a 40% em agosto, em reação a decisões judiciais brasileiras consideradas prejudiciais às big techs dos EUA.
Negociações posteriores, incluindo um encontro presencial entre os presidentes na Malásia em outubro, desencadearam a retirada parcial das barreiras. O governo brasileiro agora mira um acordo que elimine o restante das alíquotas extras e abra espaço para discutir temas como terras raras, energias renováveis e incentivos a data centers.
Com o telefonema de dezembro, Trump declarou nas redes sociais estar “ansioso” por um novo encontro presencial e garantiu que “muita coisa boa resultará desta parceria recém-formada”.
O desfecho da ligação fortalece a expectativa de que os dois países anunciem, nos próximos meses, um cronograma para encerrar o tarifaço e estabelecer uma agenda conjunta em inovação e segurança.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR
Fonte: Ricardo Stuckert/PR
