Ataque dos EUA e Israel ao Irã visa conter China e ampliar hegemonia israelense. Analistas em geopolítica avaliam que a segunda ofensiva contra Teerã, em oito meses, procura enfraquecer o regime iraniano, frear o crescimento econômico chinês e consolidar a primazia militar de Israel no Oriente Médio.
Motivações estratégicas vão além do programa nuclear
Especialistas consultados destacam que Washington e Tel Aviv justificam a operação como preventiva, citando supostas ambições atômicas iranianas. Entretanto, a professora Rashmi Singh, da PUC Minas, lembra que, na véspera dos bombardeios, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, revelou um acordo iminente para que Teerã zerasse seus estoques de urânio enriquecido. Para Singh, a ação militar surge justamente quando a diplomacia avançava, indicando o real interesse em impor mudança de regime.
Pressão sobre Pequim e a rota do petróleo
O professor Robson Valdez, do IDP, ressalta que o Irã é peça central para o fornecimento de petróleo à China, especialmente via Estreito de Ormuz. Assim, qualquer instabilidade no Golfo Pérsico afeta diretamente Pequim, principal importadora do combustível iraniano. Segundo Valdez, EUA e Israel veem na crise uma oportunidade de limitar a projeção chinesa no eixo euroasiático, seguindo a lógica da disputa pela liderança econômica global.
Dados da Agência Internacional de Energia Atômica, reunidos no site oficial da organização (https://www.iaea.org/), confirmam que o Irã permaneceu sob inspeções regulares, reforçando o argumento de que o petróleo — e não o enriquecimento de urânio — é o verdadeiro ponto sensível para Washington.
Hegemonia israelense em jogo
Para o cientista político Mohammed Nadir, da UFABC, “esta não é uma guerra americana, mas de Benjamin Netanyahu”. Ele defende que, sem neutralizar mísseis balísticos e drones iranianos, Israel não alcança a supremacia regional. O episódio também ocorre em ano eleitoral em Tel Aviv, contexto que levaria Netanyahu a utilizar a confrontação externa para fortalecer sua posição interna.
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Contexto histórico e projeções
Desde a Revolução Islâmica de 1979, Teerã enfrenta sanções econômicas impostas pelos EUA. No primeiro mandato de Donald Trump, Washington abandonou o acordo nuclear de 2015 e, a partir de 2025, passou a exigir o fim do programa balístico iraniano. O historiador Rodolfo Queiroz Laterza lembra que o Irã é o quinto maior produtor mundial de petróleo, o que o torna peça-chave no corredor econômico desenhado por China e Rússia na Eurásia.
Roberto Goulart Menezes, da UnB, frisa que Teerã integra o Tratado de Não Proliferação Nuclear, podendo ser inspecionado sem aviso prévio. Ele aponta, contudo, que a invasão russa da Ucrânia reforçou, em diferentes nações, a percepção de que deter capacidade nuclear pode ser um fator de dissuasão – ampliando a escalada.
No cenário descrito pelos analistas, a ofensiva atual pretende: 1) fragilizar o governo iraniano; 2) dificultar a expansão chinesa; e 3) garantir a Israel domínio militar incontestado. Enquanto isso, Albusaidi mantém o discurso de que o diálogo ainda é possível, caso os ataques cessem.
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Crédito da imagem: Frame/Reuters
Fonte: Frame/Reuters
